quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O VERDADEIRO LAR

O mundo daquela mãe havia desabado, com o divórcio. Herdou muitas contas atrasadas, incluindo as prestações da casa e o plano de saúde.

Seu emprego de meio expediente gerava uma renda muito pequena e poucos benefícios.

Sem nenhum apoio financeiro, ela perdeu a casa.

Para não ficarem ao relento, com muito sacrifício conseguiu alugar um trailer que ficava estacionado num acampamento local, para ela e seu filho de cinco anos.

Aquilo era só um pouco melhor do que morar em seu pequeno carro, mas ela desejava, de coração, poder proporcionar algo mais para sua criança.

Certa noite, depois de brincar um pouco com um jogo de tabuleiro e ler algumas estórias, a mãe mandou seu filho ir brincar do lado de fora até a hora de ir dormir.

Enquanto o garoto se distraía, ela sofria sobre o talão de cheques.

De repente, ouviu vozes e deu uma olhada pela janela. Lá estava o gerente do acampamento falando com seu filho:

Hei, garoto, você não gostaria de ter um lar de verdade?

A mãe ficou tensa, prendeu a respiração e chegou mais perto da janela para ouvir a resposta.

Uma emoção muito forte tomou conta daquele coração de mãe, tão sofrido e tão dedicado, quando ouviu a resposta de seu filho:

Mas nós já temos um lar de verdade. Só não temos, por enquanto, uma casa para colocá-lo.

Em sua inocência infantil, aquele garotinho de apenas cinco anos de idade, já sabia o que é um verdadeiro lar.

Há tantas construções luxuosas, tantos castelos imensos, que servem apenas para proteger seus habitantes das intempéries, mas não se prestam a oferecer o calor do afeto de um lar aconchegante.

O espaço físico pode ser amplo, mas se não houver os laços do amor, não será um lar de verdade.

Uma casa é fácil de construir, mas também é fácil de desmoronar, basta uma forte tempestade, um terremoto, um maremoto, ou outro fenômeno equivalente.

Mas a construção de um lar requer um investimento diferente. É preciso muita atenção, renúncia, entendimento, perdão, ternura, afeto, companheirismo e confiança.

Um lar assim jamais será destruído, porque seus alicerces são invisíveis e resistentes até mesmo às mais ameaçadoras catástrofes.

Dentro desses lares, dificilmente o vício terá acesso. Mas se por acaso penetrar sorrateiramente, logo será vencido pelo diálogo sóbrio que faz parte dessa construção.

As lutas podem ser difíceis, mas a união baseada no amor vencerá sempre porque suas estruturas são inabaláveis.

Quantas famílias vivem sob o mesmo teto e não se conhecem...

Quantos familiares se isolam nos vastos cômodos, carregando sozinhos seus dramas sem compartilhar com ninguém, pois são estranhos vivendo na mesma casa.

Mas se há um lar verdadeiro, podem faltar recursos financeiros e até o necessário, mas os laços do afeto estarão sempre bem apertados, dando sustentação e esperança para aqueles que nele vivem.

* * *

O lar é um templo onde podemos cultivar e manter as mais puras afeições e os mais sagrados laços de amor.

Por isso, façamos do nosso lar um santuário onde se possa aspirar o aroma da felicidade e fruir o néctar da paz.

Não venho pedir favor

Por compreender quando não posso fazer-lhe um favor,

Por sentir minha necessidade mesmo que eu não a demonstre,

Por se entristecer com a minha tristeza,

Por se alegrar com a minha alegria,

Por não se ofender quando quero ficar só,

Por rir com meu bom humor mesmo que o seu vá mal,

Por me perdoar se às vezes o magôo

... por tantas e incontáveis coisas mais ...

Não !
Não vim para pedir-lhe favor... eu ficaria sem jeito ...
... mas você é tão meu amigo,
que esse favor já está feito!

Vê asmanifestações de Deus.

Para construir o íntimo saudável e feliz, enxerga o que
Deus faz ao teu redor.

Deus está em tudo.

Ele se faz presente na folha seca que cai da árvore, no
vento que toca a tua pele, no sol que surge de manhã ou
que vai embora ao fim do tarde, no fruto que saboreias,
na flor que encanta e que exala perfume, na água que te
banha ou extingüe a sede, na roupa que usas e em tudo
o mais.

Deus é alegria.

Quando identificas em Deus o supremo poder que te envolve
e acaricia, fazes dentro de ti alterações positivas e
atrais circunstâncias agradáveis que te mostram um mundo
onde é fácil viver.

Sempre que vês Deus, Ele também te vê.

Se a sombra dos dias...

Se a sombra dos dias tristes perturbar a subida, volte
seu pensamento a Deus, que está dentro de cada um de nós.
A vitória nos chega por meio das lutas que travamos
dentro de nós mesmos.
Se as quedas magoam o corpo, servem para libertar o coração.
E, depois de vencer, espalharemos o amor em redor de
todos nós, porque pelo amor conseguiremos vencer a nós mesmos.

Vamos Pensar

O que há por trás de cada agressão senão o medo? E, o que há
por trás do medo
senão a falta de amor?
Não te enganes em tuas justificativas para as agressões que
cometes contra ti mesmo e contra os teus irmãos.
No fundo, apenas queres ser amado,
acariciado pelas mãos da vida...
Lembra que onde o coração descansa,
o amor ecoa sua canção.
Lembra que a única realidade que
fica é o amor.
Tudo que está em oposição ao amor
não tem significado, passa como os ventos antes das chuvas,
como os dias antes das noites.
Portanto, procura não alimentar e nem dar realidade àquilo que
tem por objetivo obscurecer a tua luz,
dando-te como consolo a culpa, a escuridão, por teres ferido
não só ao teu irmão, mas a ti mesmo.
Alimenta tua amorosidade, tua alegria,
teu silêncio de paz.
Mas, se não puderes controlar a fúria
em teu ser, silencia e observa.
Aprende que tamanha energia pode ser usada em prol do
entendimento, da compreensão do teu momento presente,
e não usada, equivocadamente, contra aquele que imaginas querer
destruir tua paz.
Não há no céu ou na terra alguém
que tenha o poder de apagar o que
desejas manter aceso.
E que esta chama seja a fidelidade à tua inocência, ao teu
desejo de compartilhar com os teus o que de melhor
tens aprendido.

Não importa quanto amor se dê aos outros,
se não amarmos a nós mesmos,
ninguém vai nos amar o suficiente"

Tudo tem solução.

Você pensa de um jeito não dá certo, pensa de
outro, também não. Parece que não há saída.

Esta falta de solução oprime o seu cérebro, age
sobre o seu sistema nervoso, transparece nos seus olhos e na sua voz.

Você fica tenso.

Mas, amigo, com o tempo tudo sofre modificações e
desvios. Não há problema insolúvel.

Confia na transformação que virá.

O problema desaparece à proporção que
aumenta a sua confiança em si mesmo.

Não sofra por pequenas coisas.

Às vezes, o pequeno deslize do outro é aumentado por
um pensamento negativo nosso até um ponto intolerável.

Uma palavra, uma crítica, uma mínima ação, um olhar, um gesto,
um riso podem crescer de importância e chegar ao imprevisível.

Mas, se você não ligar, deixar que "entre por um
ouvido e saia por outro" ou olhar por outro lado,
certamente que, logo, tudo volta ao normal.

Não dê valor ao que nenhum valor tem.

Quando você reduz um lado negativo
aumenta um lado positivo.

Fortaleça-se!

Pense em Deus com fé e energias profundas chegarão a você.



Com elas, estarão a alegria, a paz, o ânimo.



Assim como Deus atua na planta mesmo antes de ela se
tornar semente, Ele age em você mesmo antes de sua

concepção e o acompanha pela eternidade afora.



Mesmo que você não ame a Deus, Ele ama você.



Mas, se você O ama, acaba sentindo o amor dEle por você.



Um toque de Deus, mesmo que tenha a rapidez de um raio,
fortalece-nos pela vida inteira.

Quem não precisa de nada tem tudo...

Ah!... A felicidade!

Mesmo que os acontecimentos tragam pouco ou

nenhum benefício, expresse, com alegria:

"Que felicidade haver recebido isto.

Fico contente.

Não vejo necessidade de grandes acontecimentos ou

surpresas para despertar meu contentamento.

Fazendo assim, aprendo a agradecer

e a render graças a Deus."

A alegria nasce de pequenas coisas.

Quem contenta com o pouco não

precisa do muito para ser feliz.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

UMA ORAÇÃO PARA A VELHICE

Que a Luz da tua alma cuide de ti.
Que toda a tua preocupação e ansiedade por envelhecer sejam transfiguradas.
Que te seja concedida uma sabedoria com o olho da tua alma, para enxergar esse belo tempo de colheita.

Que tenhas o compromisso de colher a tua vida, cicatrizar o que te feriu, e permitir-lhe chegar mais perto de ti e fundir-se contigo.
Que tenhas grande dignidade, que tenhas consciência do quanto és livre e, acima de tudo, que te seja concedida a maravilhosa dádiva de encontrar a luz eterna e a beleza que está no teu íntimo.
Que sejas abençoado e que descubras um amor maravilhoso em ti por ti mesmo.

Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes

Dom de curar
1. Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido. (S. MATEUS, cap. X, v. 8.)

2. "Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido", diz Jesus a seus discípulos. Com essa recomendação, prescreve que ninguém se faça pagar daquilo por que nada pagou. Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, isto é, os maus Espíritos. Esse dom Deus lhes dera gratuitamente, para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizessem dele objeto de comércio, nem de especulação, nem meio de vida.

Preces pagas
3. Disse em seguida a seus discípulos, diante de todo o povo que o escutava: -Precatai-vos dos escribas que se exibem a passear com longas túnicas, que gostam de ser saudados nas praças públicas e de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos festins - que, a pretexto de extensas preces, devoram as casas das viúvas. Essas pessoas receberão condenação mais rigorosa. (S. LUCAS, cap. XX, vv. 45 a 47; S. MARCOS, cap. XII, vv. 38 a 40; S. MATEUS, cap. XXIII, v. 14.)

4. Disse também Jesus: não façais que vos paguem as vossas preces; não façais como os escribas que, "a pretexto de longas preces, devoram as casas das viuvas", isto é, abocanham as fortunas. A prece é ato de caridade, é um arroubo do coração. Cobrar alguém que se dirija a Deus por outrem é transformar-se em intermediário assalariado. A prece, então, fica sendo uma fórmula, cujo comprimento se proporciona à soma que custe. Ora, uma de duas: Deus ou mede ou não mede as suas graças pelo número das palavras. Se estas forem necessárias em grande número, por que dizê-las poucas, ou quase nenhumas, por aquele que não pode pagar? E falta de caridade. Se uma só basta, é inútil dizê-las em excesso. Por que então cobrá-las? É prevaricação.
Deus não vende os benefícios que concede. Como, pois, um que não é, sequer, o distribuidor deles, que não pode garantir a sua obtenção, cobraria um pedido que talvez nenhum resultado produza? Não é possível que Deus subordine um ato de demência, de bondade ou de justiça, que da sua misericórdia se solicite, a uma soma em dinheiro. Do contrário, se a soma não fosse paga, ou fosse insuficiente, a justiça, a bondade e a demência de Deus ficariam em suspenso. A razão, o bom senso e a lógica dizem ser impossível que Deus, a perfeição absoluta, delegue a criaturas imperfeitas o direito de estabelecer preço para a sua justiça. A justiça de Deus é como o Sol: existe para todos, para o pobre como para o rico. Pois que se considera imoral traficar com as graças de um soberano da Terra, poder-se-á ter por lícito o comércio com as do soberano do Universo?
Ainda outro inconveniente apresentam as preces pagas: é que aquele que as compra se julga, as mais das vezes, dispensado de orar ele próprio, porquanto se considera quite, desde que deu o seu dinheiro. Sabe-se que os Espíritos se sentem tocados pelo fervor de quem por eles se interessa. Qual pode ser o fervor daquele que comete a terceiro o encargo de por ele orar, mediante paga? Qual o fervor desse terceiro, quando delega o seu mandato a outro, este a outro e assim por diante? Não será isso reduzir a eficácia da prece ao valor de uma moeda em curso?

Mercadores expulsos do templo
5. Eles vieram em seguida a Jerusalém, e Jesus, entrando no templo, começou por expulsar dali os que vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e os bancos dos que vendiam pombos: - e não permitiu que alguém transportasse qualquer utensílio pelo templo. - Ao mesmo tempo os instruía, dizendo: Não está escrito: Minha casa será chamada casa de oração por todas as nações? Entretanto, fizestes dela um covil de ladrões! - Os príncipes dos sacerdotes, ouvindo isso, procuravam meio de o perderem, pois o temiam, visto que todo o povo era tomado de admiração pela sua doutrina. (S. MARCOS, cap. XI, vv. 15 a 18; - S. MATEUS, cap. XXI, vv. 12 e 13.)
6. Jesus expulsou do templo os mercadores. Condenou assim o tráfico das coisas santas sob qualquer forma. Deus não vende a sua bênção, nem o seu perdão, nem a entrada no reino dos céus. Não tem, pois, o homem, o direito de lhes estipular preço.

Mediunidade gratuita
7. Os médiuns atuais - pois que também os apóstolos tinham mediunidade -igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição dos que pranteio, porque sou pobre. Tal a razão por que a mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do seu providencial objetivo.

8. Quem conhece as condições em que os bons Espíritos se comunicam, a repulsão que sentem por tudo o que é de interesse egoístico, e sabe quão pouca coisa se faz mister para que eles se afastem, jamais poderá admitir que os Espíritos superiores estejam à disposição do primeiro que apareça e os convoque a tanto por sessão. O simples bom senso repele semelhante idéia. Não seria também uma profanação evocarmos, por dinheiro, os seres que respeitamos, ou que nos são caros? E fora de dúvida que se podem assim obter manifestações; mas, quem lhes poderia garantir a sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos, brincalhões e toda a caterva dos Espíritos inferiores, nada escrupulosos, sempre acorrem, prontos a responder ao que se lhes pergunte, sem se preocuparem com a verdade. Quem, pois, deseje comunicações sérias deve, antes de tudo, pedi-las seriamente e, em seguida, inteirar-se da natureza das simpatias do médium com os seres do mundo espiritual. Ora, a primeira condição para se granjear a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, o devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral e material.

9. A par da questão moral, apresenta-se uma consideração efetiva não menos importante, que entende com a natureza mesma da faculdade. A mediunidade séria não pode ser e não o será nunca uma profissão, não só porque se desacreditaria moralmente, identificada para logo com a dos ledores da boa-sorte, como também porque um obstáculo a isso se opõe. E que se trata de uma faculdade essencialmente móvel, fugidia e mutável, com cuja perenidade, pois, ninguém pode contar. Constituiria, portanto, para o explorador, uma fonte absolutamente incerta de receitas, de natureza a poder faltar-lhe no momento exato em que mais necessária lhe fosse. Coisa diversa é o talento adquirido pelo estudo, pelo trabalho e que, por essa razão mesma, representa uma propriedade da qual naturalmente lícito é, ao seu possuidor, tirar partido. A mediunidade, porém, não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade. Pode subsistir a aptidão, mas o seu exercício se anula. Daí vem não haver no mundo um único médium capaz de garantir a obtenção de qualquer fenômeno espírita em dado instante. Explorar alguém a mediunidade é, conseguinte-mente, dispor de uma coisa da qual não é realmente dono. Afirmar o contrário é enganar a quem paga. Há mais: não é de si próprio que o explorador dispõe; é do concurso dos Espíritos, das almas dos mortos, que ele põe a preço de moeda. Essa idéia causa instintiva repugnância. Foi esse tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância, pela credulidade e pela superstição que motivou a proibição de Moisés. O moderno Espiritismo, compreendendo o lado sério da questão, pelo descrédito a que lançou essa exploração, elevou a mediunidade à categoria de missão. (Veja-se: O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXVIII. - O Céu e o Inferno, 1ª Parte, cap. XI.)

10. A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. Se há um gênero de mediunidade que requeira essa condição de modo ainda mais absoluto é a mediunidade curadora. O médico dá o fruto de seus estudos, feitos, muita vez, à custa de sacrifícios penosos. O magnetizador dá o seu próprio fluido, por vezes até a sua saúde. Podem pôr-lhes preço. O médium curador transmite o fluido salutar dos bons Espíritos; não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os apóstolos, ainda que pobres, nada cobravam pelas curas que operavam.
Procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escada por onde subam.

Caminho de Luz

Brilhando por luz de Deus, ainda mesmo nas regiões em que a escuridade aparentemente domina, o amor regenera e aprimora sempre.Podem surgir grandes malfeitores abalando a ordem pública, mas, enquanto existirem pais e mães responsáveis e devotados, o lar fulgirá no mundo, cooperando para que se dissolva a lama da delinquência na charrua do suor ou na fonte das lágrimas.Podem surgir crianças-problemas e jovens transviados de todos os matizes, mas, enquanto existirem professores dignos do nome bendito que carregam, erguer-se-á a escola por santuário da educação.Podem surgir doentes agoniados em todas as estâncias da vida, mas, enquanto existirem cientistas consagrados ao socorro dos semelhantes, levantar-se-á o hospital, como pouso da Bênção Divina para a redenção dos enfermos.Podem surgir criminosos de todas as procedências, gerando reações populares pelos delitos em que estejam incursos, mas, enquanto existirem juízes compreensivos e humanos, destacar-se-á o instituto correcional por cidadela do bem, onde as vitimas da sombra retornem de novo à luz.Podem surgir empreiteiros do ateísmo e do ódio, da intolerância e da guerra, como verdadeiros alienados mentais, mas, enquanto existirem sacerdotes e missionários da fé, com bastante abnegação para ajudar e perdoar, luzirá o templo, nas diversas confissões religiosas do mundo, como autêntica oficina de acrisolamento da alma.É justificável, portanto, que a afeição não repouse, além da morte.Para lá da fronteira de cinza, agiganta-se o trabalho para todos os corações acordados ao clarão do amor sem mácula.Mães esquecidas na legenda do túmulo transformam-se em anjos invisíveis de renúncia, ao pé de filhos desmemoriados e ingratos, para que não resvalem de todo nas tenebrosidades do abismo ; esposas renascidas do nevoeiro carnal apóiam companheiros desorientados no infortúnio, para que se restaurem no tálamo doméstico ; filhos, desligados do corpo físico, tornam, despercebidos, à convivência dos pais, arrebatando-os às tentações do desânimo ou do suicídio, e arautos de idéias renovadoras sustentam-se, em espírito, ao lado daqueles que lhes continuam as obras.Se te encontras, assim, em tarefas de sacrifício, não recalcitres contra os aguilhões que te acicatam as horas, consciente de que a matemática do destino não nos entrega problemas de que não estejamos necessitados.Humilha-te e serve, desculpa e edifica, diante dos que se fazem complicados instrumentos de tua dor.A prova antecipa o resgate, a luta anuncia a vitória e a dificuldade encerra a lição.E embora se te situem as esperanças no agressivo espinheiro do sofrimento, ama os que te não compreendem e ora pelos que te injuriam, porque a Lei conhece o motivo pelo qual cada um deles te cruza os passos, e erguer-te-á o ânimo, aqui e além da Terra, para que prossigas no apostolado do amor, em perpetuidade sublime.

Você é importante

Você é importante
- Quando ama o trabalho que faz e as pessoas que o fazem com você, você se torna importante.
- Quando você é tão cuidadoso, generoso e preocupado que você pensa em outras pessoas, antes de você, você se torna importante.
- Quando você faz do mundo um lugar melhor do que você o encontrou, você se torna importante.
- Quando você continua a aumentar a qualidade do que faz e como você faz, você se torna importante.
- Quando você ensina e perdoa e ensina mais ainda, antes de julgar e criticar, você se torna importante.
- Quando você toca no coração e na alma das pessoas por suas ações (e palavras), você se torna importante.
- Quando as crianças crescem querendo ser você, você se torna importante.
- Quando você vê o mundo como está, mas insiste em tentar fazê-lo como acha que ele pode e deve ser, você se torna importante.
- Quando você inspira um ganhador do prêmio Nobel ou um morador de favela, você se torna importante.
- Quando o lugar se enche de luz quando você entra, você se torna importante.
- E quando o que você deixa para outras pessoas continua por horas, dias ou uma vida toda, você se torna importante.

RECOMPROMISSO

T odos os dias é absolutamente necessário que você se relembre dos compromissos que você assumiu; o passo seguinte é recomprometer-se com eles. Para alguns a necessidade é de se recomprometer a separar um tempo para meditar e orar; para outros o recompromisso seja fazer aquele contato com aquela pessoa, ou estar presente naquela reunião.

A realidade é que em apenas um dia mil e umas coisas irão chamar a sua atenção para uma outra direção, que difere daquela que já foi estabelecida. O telefone irá tocar, o patrão irá lhe dar um “projeto especial”para você se envolver e a vida vai lhe envolvendo...

Ouça: todo piloto e todo capitão de navio sabe que os ventos e as correntes maritimas podem leva-los perigosamente para fora do seu percurso. Esse é um processo natural, alguma coisa que eles sabem que vão enfrentar e pela qual tem de estar constantemente alertas. A sua vida não é diferente. À semelhança de um piloto, check a sua localização, estabeleça sua direção e vá em frente cofiando nos propósitos de Deus para a sua vida.

NOSSOS SONHOS

Você sonhou esta noite? Não se recorda?

O que é o sonho? Ele é o produto da liberdade que goza a alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa.

O sonho pode ser dividido em três categorias principais. O primeiro é o chamado sonho ordinário ou cerebral. É simplesmente o reflexo das impressões e imagens arquivadas no cérebro durante o período de vigília.

Ao adormecermos, tais imagens se liberam sem direção consciente e então temos cenas indecisas, sem sentido, sem coordenação. E que permanecem na memória.

Estados de sofrimento ou de doenças, facilitando o desprendimento do Espírito, aumentam ainda mais a incoerência e a intensidade dos sonhos. As impressões e imagens se chocam e se confundem.

A segunda categoria se dá quando o Espírito flutua na atmosfera, sem se afastar muito do corpo. Mergulha no oceano dos pensamentos e imagens que rolam, de todos os lados, pelo espaço.

Aí colhe impressões confusas. Tem estranhas visões. Sonhos inexplicáveis.

Também pode, nesse estado, mergulhar no passado, rever acontecimentos desta ou de anteriores vidas.

Esses sonhos, de uma infinita diversidade, conforme o grau de liberdade do Espírito, afetam sobretudo o cérebro físico. É por isso que deles conservamos a lembrança ao despertar.

O sonho profundo ou sonho espírita se dá quando o Espírito fica mais livre do corpo. Desprende-se da matéria e vai ao encontro dos seres amados, seus parentes, seus amigos, seus guias espirituais.

Também pode se encontrar, nesse estado, com outras almas, no momento encarnadas na Terra. Desses sonhos, o Espírito conserva impressões, que nem sempre afetam o cérebro físico.

Mas se gravam na consciência e depois surgem, no transcorrer dos dias, como pressentimentos, intuições, etc.

É por isso que o provérbio diz: A noite é boa conselheira.

São também registrados, com frequência, fenômenos de premonição durante os sonhos.

A mulher de Júlio César sonha com o assassínio do marido e tudo faz para que ele não vá ao Senado, naquele dia.

Abraão Lincoln, Presidente dos Estados Unidos, sonhou que se achava em uma calma como de morte. Ouviu soluços. Percorreu várias salas e no centro de uma delas viu um corpo deitado, vestido de preto, guardado por soldados. Enorme multidão chorava.

Quem morreu na Casa Branca? - perguntou. Um soldado respondeu: O Presidente. Foi assassinado. Pouco tempo depois ele morria assassinado.

E os pesadelos? São produto dos nossos desejos, recordações ou experiências espirituais inferiores, devido a um estado mental conturbado.

O maior antídoto contra os pesadelos é buscar manter o pensamento e a vontade ligados no bem. Uma boa vivência diária, uma boa leitura antes de dormir, oração sentida são excelentes recursos para termos bons sonhos.

Ainda uma vez, quem vive o bem, também sonha o bem.

* * *

Os sonhos não são verdadeiros como entendem os ledores da sorte.

É absurdo, pois, pensar que sonhar com uma coisa anuncia outra.

As preocupações do dia podem dar àquilo que se vê em sonhos, a aparência do que se deseja ou se tem medo. É um efeito da imaginação.

As interpretações supersticiosas, que pretendem relacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, devem ser repudiadas.

Gasta-se com isso preciosos recursos e oportunidades da existência.

O BALANÇO

Um balanço ao vento se move suavemente.

Não se vê chão, não se vê céu... Apenas um movimento ritmado para frente... para trás...

Juliana tem 13 anos e está feliz como nunca.

Mais forte, papai! - Diz ela, eufórica.

Naquele momento inesquecível, a paisagem se apaga para ela. Some em meio à alegria de estar com quem se ama.

Seu sorriso de criança encontra o ar leve, perfumado.

Seus ouvidos se deleitam com a voz tranquila do pai amado. Ela se sente segura, como nunca antes se sentira.

O balanço vai diminuindo o ritmo, e quando está prestes a parar ela percebe que o pai está diante do seu rosto.

Como ele é bonito... - ela pensa. Uma beleza especial, que está mais dentro do coração da filha, do que nos olhos do mundo.

Filha... Você precisa voltar. - Diz o homem ternamente.

Mas eu não quero, papai... - Responde ela com voz de cristal.

Eu sei, meu amor... Mas você precisa voltar.

Ela começa a chorar... O choro da brincadeira que acaba tão cedo. O choro da vontade de continuar ali.

A menina acorda em pranto.

Era um sonho! - Pensa ela. Mas parecia tão real...

Sente um aperto forte no peito e não consegue identificar o que é.

É a saudade... - diz uma pequena voz em sua cabeça.

Sim, era a saudade do pai, do amor que havia partido quando tinha apenas 3 anos de idade.

Ela já havia sonhado com ele várias vezes, mas dessa vez foi inesquecível. Tão especial que, a partir desse dia, ela aprendeu a chamar aqueles sonhos de visitas.

Todo balanço que vê, ativa sua memória, acelera seu coração, pois faz lembrar de um grande amor que esteve na Terra com ela, durante pouco tempo, mas que ainda a visita sempre.

* * *

Por onde andam os amores que não mais estão aqui conosco?

Se aprendemos que o amor une ao invés de afastar, por que crer na distância da morte?

Sim, a morte não nos separa. Talvez um breve afastamento físico, mas nunca o afastamento das almas.

Os que nos amam continuam ao nosso lado, e se partiram antes, quase sempre se tornam companheiros anônimos e invisíveis dos nossos dias.

São eles, muitas vezes, que nos trazem as forças que precisamos para continuar, o carinho dos bons conselhos ou os puxões de orelha amorosos.

Em espírito nos acompanham, oram e vibram por nós, da mesma forma que fariam se estivessem ainda encarnados.

A morte não muda o amor. A distância não é impedimento para o carinho.

Eles estão mais perto do que imaginamos, e neste grande ir e vir do planeta, logo mais estaremos juntos uma vez mais.

Estaremos juntos lá, pois nunca sabemos quanto tempo ainda temos, ou mesmo aqui, lembrando que a reencarnação é uma das Leis maiores do Universo.

Não há com o que se entristecer

Não há com o que se entristecer.

Se você enxerga positivos os lances que tem à frente, os lances

negativos não acham porta para entrar em você.

São obrigados a ficar de fora, sem exercer influência sobre você.

Não dê chance ao que é negativo.

O negativo instala insatisfação onde entra, criando com a

continuidade, estados depressivos de difícil erradicação.

É como a moléstia, que, de início, pode ser extirpada facilmente,

mas que, se não tratada a tempo, torna-se de difícil cura.

Não formule o mal.

Por estar bem longe do mal é que você melhor

se sente nas belas planícies do bem.

CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

Uma cascata fluindo branca, como uma cortina rendada; um céu repleto de estrelas, o cheiro da terra molhada após a primeira chuva, gotas que brilham em pétalas.

A natureza é um espetáculo para se contemplar em silêncio respeitoso, com o coração em prece.

Deus se mostra, majestoso, nas Suas obras monumentais.

A arte, o belo, o refinamento, a exatidão. Tudo é visível na natureza.

Por isso, um dos maiores filósofos da Terra, grafou palavras que resumem de forma completa o que representa a natureza para o homem habituado a pensar em Deus.

É de Immanuel Kant esta bela frase:

"Duas coisas enchem minha alma de admiração e respeito: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim".

E diante desse espetáculo de formas, cores e perfumes, o que fazemos nós, os seres humanos?

Poluímos, matamos, utilizamos sem cuidado. Somente a poucos anos a Humanidade passou a observar que o nosso Mundo está maltratado.

A palavra Ecologia então entrou na moda, ganhou o Mundo, tornou-se sinônimo de consciência ética. Mas muitos de nós ainda estão distantes do sentimento de reverência que a obra divina deveria merecer de todos.

Florestas devastadas, rios transformados em canais pútridos, animais torturados e vendidos como mercadoria barata.

Isso nos mostra o quanto ainda estamos distanciados do ideal de amor e respeito que a obra de Deus merece.

A casa planetária - saqueada, poluída, agredida - geme sob o domínio humano.

E os resultados começam a surgir, preocupantes: aquecimento global, doenças, morte de espécies.

Eis que o produto de nosso descaso se volta contra nós. Furacões, tsunamis, tufões.

Quando ocorrem as grandes tragédias, decorrentes de fenômenos naturais, o homem é a primeira vítima.

E mesmo assim, resiste em continuar cego para os sinais de que algo está profundamente errado na forma como nos relacionamos com a natureza.

Como reverter esse quadro? Como restaurar o equilíbrio?

A resposta está na palavra educação.

Essa arte de educar os caracteres é a chave para que as futuras gerações tenham uma visão mais larga sobre o papel do ser humano, como agente causador da destruição do planeta em que vivemos.

Aos homens do futuro - que hoje são crianças e adolescentes - nos cabe oferecer uma consciência mais apurada e uma noção mais plena sobre preservação do meio ambiente.

Mas... como fazer isso?

Educando-os desde hoje. Uma educação que vai além da escola formal. A educação do Espírito, que consiste em implantar novos conceitos ético-morais no indivíduo.

A educação do Espírito é completa. Não apenas o informa sobre as regras de gramática e as normas da geometria.

Fala ao homem sobre seu papel no Mundo. Educa-o para a convivência fraternal com todos os seres - humanos, animais e vegetais.

E prepara-o para cuidar do lugar que vive.

No dia-a-dia, essa educação se mostra no combate aos desperdícios de toda espécie, na economia dos recursos naturais, no respeito integral a toda forma de vida.

Um exemplo dessa consciência superior pode ser encontrado em Francisco de Assis, que amava a obra divina a tal ponto que chamava de irmãos ao sol, à lua, ao vento, à água e às estrelas.

Quem de nós poderia traduzir melhor o amor do que abraçando a natureza com palavras de amor?

Construindo o Amor

Entrando na questão do amor romântico, temos, primeiramente, o período da paixão, do encantamento. Este período pode ser um prelúdio de um amor imenso, mas não necessariamente "o amor inteiro". O encantamento acaba. Então, quando isto acontece, pode dar-se que os enamorados sintam-se confusos, pensando que o *amor* acabou, quando, na verdade, está apenas começando. Pode dar-se que fiquem sem saber o que fazer do que veio depois do fim do encantamento - um sentimento às vezes até imenso pelo outro, mas sem as idealizações românticas de outrora.

Por muito tempo, pensamos que todos os nossos problemas e carências deviam acabar a partir do momento mágico em que disséssemos "eu te amo" e ouvíssemos um arrebatado "eu também" como resposta. Mal sabíamos nós que este é apenas o começo da caminhada, jamais o final dela.

Já compreendemos que a paixão é finita, mas também entendemos que precisamos de algo infinito para sermos plenos. Desta forma, atravessamos um período bastante notável neste pormenor, em que uma série de paradigmas se reestruturam e tendem a provocar, a médio ou longo prazo, um maior amadurecimento das relações amorosas.

Se não, vejamos: tempos atrás, notadamente no Séc. XIX, a aspiração suprema masculina, quando se falava de encontrar uma parceira para construir um casamento, era encontrar uma jovem delicada, espirituosa, preferencialmente virgem, pura, inocente e mais ou menos submissa, enquanto a feminina era encontrar um príncipe encantado que tivesse o vigor de um menino, o olhar seguro de um pai, fosse capaz de defendê-la com uma espada, se fosse preciso, mas também fosse capaz de ofertar-lhe flores simplesmente porque não tivesse condições de olhá-las sem pensar na estrela de seus dias.

Presentemente, as pessoas começam a perceber que perfeição não existe e que o que podemos viver é um amor real, recheado de encontros e desencontros, certezas e procuras, lágrimas e idílio, medo e segurança, descrença e fé. Estas sensações são inerentes à transição de um período para o outro o qual, no fundo, não se alterou totalmente.

Digo isto porque, intimamente, muitas mulheres procuram um homem que *as faça feliz* - Resquício da idéia do príncipe encantado - e muitos homens - cada vez menos, fique posto - procuram garotas virgens, o que nada mais é que um resquício da busca pela jovem inocente de outros tempos.

É natural que este período se dê mediante transição e confusão por parte dos espíritos os quais, muito provavelmente, eram os mesmos que estavam contracenando na Terra à época das etapas que a humanidade atravessou, anteriormente.

Assim é que, quanto mais evoluímos, maior é nossa capacidade de construir felicidade no "amor romântico", visto que seu sucesso está intimamente ligado ao nosso próprio amadurecimento social, psicológico e espiritual.

Em tempo, é evidente que o amor, como assinatura de Deus em nossos corações, venha sempre carregado de uma dose emocional imensa e que isto, inclusive, seja muito positivo, caso bem administrado.

Por mais que compreendamos que a paixão é passageira, desejamos encontrar alguém com quem possamos estar sob um céu prateado de luas e estrelas e um chão aparentemente coberto por pétalas de rosas; as mãos entrelaçadas roçando levemente a areia, enquanto os olhos mergulhados um no outro falam de poemas sem palavras, carregados da eternidade da procura e da plenitude do encontro; ainda sonhamos com declarações arrebatadas, pés fora do chão, poesias entre os dedos , o mundo todo redigido para ser doce, íntimo, perfeito e seguro; ainda sonhamos encontrar alguém com quem possamos ser nós mesmos sem medo de que ele nos deixe, de entregar nosso coração sem receio de que ele desdenhe do gesto e nos deixe a sós com tanto sentimento.

A certeza de que este desejo existe dá-nos medo, um medo verdadeiramente intenso e é este medo, muitas vezes, que nos faz abdicar das possibilidades mais sublimes do amor para aderirmos à menor parte que as relações afetivas podem nos oferecer: a estreita satisfação dos sentidos.

Evidente que ela é importante e deve ser contemplada, mas proporciona apenas pequena porção da felicidade que um relacionamento amoroso, ainda que imperfeito, pode nos ofertar.

Por ser o que costumam chamar de "observador compulsivo", sempre anelo apreender das pessoas e situações mais que o estritamente óbvio, buscando absorver gestos, inflexões de voz, olhares e correlatos. Isto às vezes traz bons resultados, às vezes, não; algumas vezes concluo corretamente, outras, não. O fato é que sempre que observo pessoas que se confessam adeptas do "amor livre" ou do "amor sem compromisso", pressinto que uma enorme parte dela clama, espera e deseja encontrar algo maior, algo mais amplo que o que as sensações estritamente físicas podem nos oferecer. Todos querem ser olhados de forma mais profunda, mais intensa, mais etérea; todos desejam noites estreladas com a areia atapetada de rosas e juras secretas, entretanto, todos têm medo.

Aprenderam, por ouvir falar ou por experiência própria, que o encantamento é efêmero e não sabem o que fazer com o que virá depois; entenderam que o "príncipe encantado" e a "virgem serena e meiga" ficaram em outro tempo, compreendem que amor é complexo e sentem muito medo disto. Sabem que não é possível amar de verdade sem confiar plenamente, entregar cada gota da sua essência e não sabem como doarem-se tanto e continuarem inteiros; como apostar tanto e reagir caso tudo saia errado; como confiar tanto no outro, sabendo, de antemão , que ele é imperfeito e vai falhar, mais dia, menos dia.

Enquanto isto, vendem-nos idéias muito discutíveis, cuja aplicação irrestrita piora, em lugar de amenizar a situação.

Dizem-nos, dentre outras coisas, que o mais importante em um relacionamento afetivo é a qualidade do sexo, colocando-o como causa, não como conseqüência de um envolvimento mais aprofundado; também dizem-nos que, caso seu namorado ou esposo te "dê trabalho", mostre-se imperfeito, você pode simplesmente "partir para outra", porque esta pessoa não pode te fazer feliz e você merece alguém melhor.

Evidente que não me refiro a casos em que a separação é uma questão de auto-amor, mas àqueles em que as menores divergências são motivos para que a relação se desfaça.

Oxalá compreendamos, com a menor gama de sofrimento possível, que o amor verdadeiro é construído na vivência e superação das dificuldades, no equilíbrio entre aceitação e busca da melhora do outro, no empenho pelo nosso auto-conhecimento e na compreensão de que nossa capacidade de amar o outro está intimamente ligada à nossa condição de amar a nós mesmos de forma verdadeira e intensa.

Oxalá não esteja longe o dia em que esperemos que apareça uma pessoa para nos fazer feliz ou resolver nossos problemas e, sobretudo, que saibamos administrar com sabedoria e ternura um aspecto tão pulsante, complexo e importante para nossa existência - e aqui refiro-me à existência enquanto seres imortais.

O Amor na expressão mais sublime faz parte da centelha divina que está na origem do Espírito, portanto imortal, caminham juntos nas espirais da Evolução.

E S F O R Ç O

Por vezes, na vida, ante alguns fracassos, nos entristecemos e desistimos de lutar.

Tarefas iniciadas são abandonadas. Profissões dignas são deixadas à margem.

Tudo em nome de um fracasso, um dia, uma vez.

Recordamos que, certa vez uma estudante de violino, durante um concerto, teve a infelicidade de ter o arco do instrumento esticado em demasia.

Isso fez com que arrancasse do violino um lancinante gemido de gato. O lá desafinou, os seus dedos, umedecidos pela transpiração nervosa escorregaram no braço do violino.

Seu desejo era cair morta.

Mas corrigiu a tensão das cordas, enxugou as mãos no vestido e continuou.

Ao finalizar correu para os bastidores e exclamou:

"Nunca mais tocarei violino."

Uma excelente artista que ouviu seu desabafo, lhe falou:

"Você já observou como cantam os pássaros? Sabe porque Deus os criou? Para que alegrassem o homem e ele não sucumbisse à tristeza.

Não vê? Deus deu a muitas pessoas aptidões para tornarem os homens felizes. Ele deu a você a possibilidade de tocar violino. Não deve lhe desobedecer e sim utilizar sua aptidão para lhe agradar. Tudo isso faz parte do seu grande plano."

A menina pensou e pensou. No dia seguinte, ergueu-se cedo e retomou as longas horas de estudo do seu violino.

O esforço é lei da vida. Todos os seres, de uma forma ou de outra, não podem fugir a isso.

Mecanismo de evolução, promove o progresso, estimula a experiência.

Graças ao esforço os homens se enriquecem emocional, cultural, artística e economicamente.

Não houvesse esforço e a vida permaneceria nas suas expressões primitivas, iniciais.

Tudo trabalha e se esforça em a natureza.

Os ventos e as chuvas realizam o seu esforço na erosão dos montes e da crosta terrestre.

A gota d`água, no seu cair sem parar, cria as belezas que nos deslumbram os olhos nas grutas, no silêncio das furnas, promovendo formas curiosas e especiais.

Onde se apresente o esforço, floresce a paz. E onde a ação movimenta o progresso, vibra a alegria.

Você sabia?

Que a grande cantora madame Ernestine Schumannheink durante um dos seus concertos vacilou e falhou?

E que mesmo assim, corajosamente dominou-se e foi até o fim?

E assim a "maravilhosa dama" como era chamada nos últimos anos, continuou cantando em concertos e no rádio, prosseguindo como os pássaros a espalhar alegria entre os homens.