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terça-feira, 29 de março de 2011

MULHER E DEDICAÇÃO

Em uma de suas mais famosas canções, o ex-Beatle John Lennon cantou a opressão que vitimava
mulheres em todo o Mundo.
Lennon foi assassinado em 1980, mas suas palavras ainda são atuais, nesses dias em que vivemos.
No Brasil, na Arábia ou na Índia.
Na antiguidade ou nas metrópoles de hoje.
Em todas as épocas e povos, a mulher sempre teve sua posição atormentada pelas dificuldades do não reconhecimento de seu valor e de seu papel.
Esforça-se, rompe barreiras, mas continua assombrada
por um certo desprezo, nascido da aparente fragilidade que carrega.
Em alguns locais o estigma é forte, bem visível, e oprime, fere, humilha.
Em outros, a vida parece um pesadelo com a violência que assusta, com o terror que espalha.
Basta ligar a TV, ou abrir jornais e revistas para ter notícias dos abusos impostos às mulheres.
Vilipendiadas, desrespeitadas, caladas à força, elas prosseguem:
carregam famílias, assumem tarefas, adoçam os dias com o mel que só um coração delicado pode oferecer.
Mesmo nos países em que é valorizada, facilmente se percebe um certo desrespeito, um preconceito camuflado em piadas e risos irônicos.
Sem falar nos salários mais baixos, nas avaliações que consideram mais o corpo que a inteligência.
Ou você nunca notou?
Por toda a parte em que se vai, basta abrir os olhos e ver as mulheres assinaladas pelo signo da generosidade.
Por mais que trabalhem, sejam bem sucedidas, realizadas, o selo feminino é o da dedicação que não conhece limites.
Quer prova disso?
Observe as mães e esposas de atletas e artistas.
Quem na maioria das vezes os estimula, torce, sacrifica as horas?
Quem está, invariavelmente, ao lado deles, quando ninguém quer sonhar junto?
Quem sempre acredita?
E os filhos deficientes?
Você já percebeu a presença materna ali ao lado?
Onipresente, forte, protetora.
Todos os estudos na área de deficiência física ou mental revelam que a figura materna, na maioria dos casos,
é quem apóia o filho e vai em busca de alternativas, terapias, equipamentos, médicos.
Mão estendida, voz cariciosa, presença constante.
Mães, irmãs, avós, esposas, namoradas.
Sempre ao lado, de mãos dadas, com brilho nos olhos e força nos braços.
Tanta dedicação muitas vezes tem um preço caro demais.
A mulher acostuma-se ao sacrifício o tempo inteiro.
E fica invisível.
Passa a fazer parte da paisagem.
Ninguém lembra de agradecer, acarinhar, sorrir de volta.
Mas quem disse que ela se abate?
Mulher é entidade forte, cheia de graça e de poder,
capaz de fazer nascer borboletas.
Capaz de fazer brilhar o sol.
* * *
Se nos cabe reconhecer no homem o condutor da Civilização e o mordomo dos patrimônios materiais,
na Terra, não podemos esquecer de identificar na mulher
o anjo da esperança, ternura e amor.
A missão feminina é espinhosa.
Mas, efetivamente, só a mulher tem bastante poder para transformar os espinhos em flores.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ÀS VOLTAS COM ESPÍRITOS

Não é necessário que alguém acredite na existência de entidades espirituais, para que elas atuem das formas mais diversas na vida das pessoas.
Não se faz indispensável que alguém seja espiritualista, a fim de estar às voltas com as ações de espíritos desencarnados nos caminhos humanos.
É importante lembrar que a humanidade terrena é composta por todos os espíritos que o criador a ela destinou, em razão da lei de afinidades, e os colocou sob a coordenação de Jesus, O Cristo.
Daí, não será difícil compreender que num mundo com tantas potencialidades, com tantos recursos a serem explorados, como é a terra, a grande massa dos espíritos a ele vinculados se acha desencarnada.
Há mais espíritos no plano espiritual do que reencarnados. Isto explica porque o número dos mortais cresceu tanto, através dos séculos.
Vivendo essa realidade de um mundo considerado em dois níveis gerais, o nível dos que estão no corpo físico e o dos que se encontram fora dele, não é surpreendente a constatação de que ocorram influências recíprocas de um nível sobre o outro.
Imensa é a leva de desencarnados que procura contatar os encarnados, seja para ajudar, em qualquer coisa, seja para participar de qualquer tarefa, ou seja para perturbar, de qualquer forma.
Enorme é a massa de encarnados que deseja contatar os desencarnados, seja para pedir uma ajuda banal, seja para vingar-se de desafetos ou seja para rogar um socorro direto em casos complexos.
Há entidades espirituais que gostam somente de fazer o bem, de ajudar para o bem, de participar de qualquer esforço pelo bem.
No entanto, há outras inteiramente voltadas para o contrário, dando vazão as suas inclinações inferiores, ainda não devidamente transformadas.
Uma vez que você sabe disso, observe o tipo de sintonias, de contatos mentais que faz e que deseja fazer com os espíritos.
Analise os conteúdos dos seus pedidos dirigidos ao além e o teor das suas expectativas diante da vida, mantendo a certeza de que quaisquer que sejam suas buscas, alguma entidade espiritual a elas se associará.
As suas decisões quanto ao seu estilo de vida, as suas relações de afeto ou desafeto, ao rumo que dê as suas realizações na faixa da honestidade ou da desonestidade, funcionarão como tomadas ideais para a sua ligação com nobres mensageiros da luz ou com desafortunados agentes da sombra.
Busque a Jesus e una-se a Ele em tudo o que faça.

Viva com alegria interior, aprenda a enfrentar e superar problemas sem ódios, sem guardar mágoas de ninguém.
Solte-se.

Viva em clima de liberdade espiritual, por conservar o coração e a mente livres de vínculos com espíritos perturbadores.
Busque Jesus e tudo o que se refira ao bem, e esteja certo de usufruir a melhor assistência invisível, atraída por suas felizes predisposições morais.
Pense nisso!
Quando um familiar falece e volta ao mundo dos espíritos, não se torna melhor nem pior do que era quando no corpo físico.
Por essa razão, não o perturbe com pedidos que ele não pode ou não deve atender.
Confie sempre em Deus, Pai de todos nós, e a ele dirija a sua prece ou o seu pedido.
Mas lembre-se de levar em conta que o Pai conhece nossas necessidades e sempre nos dá o que precisamos, que nem sempre é o que queremos.

sábado, 27 de novembro de 2010

Vítimas de nós mesmos

Quantas pessoas do nosso convívio conseguem nos tirar do sério?

Quantas pessoas que conhecemos, conseguem nos fazer perder a paciência?
Frequentemente usamos dessas expressões para justificar nossa descompostura ou desequilíbrio, ao culpar fulano ou beltrano.
Agora nos resta perguntar por que alguém consegue fazer-nos perder a paciência, ou por que alguém é capaz de provocar uma mudança em nossa atitude.
E esses nossos descontroles cotidianos acontecem em qualquer ambiente.

Algumas vezes na família, outras tantas no trabalho. Ou, ainda, nas corriqueiras relações sociais.
E sempre estamos a justificar que a culpa é de alguém. Sempre estamos prontos a explicar que se não fosse essa ou aquela pessoa agir desta ou daquela forma, nada disso aconteceria.
Colocamos a culpa do descontrole em alguém, em algo e, ao nos tornarmos vítimas da situação, nada nos resta a fazer, pois afinal, o problema está nos outros e não em nós.
Mas, será que somos apenas reféns das situações, e realmente nada podemos fazer a não ser reagir a elas?
Lembremo-nos da última contenda, da última discussão na qual nos envolvemos.

Nada poderíamos ter feito para evitá-la?

Nada estava ao nosso alcance para que a situação fosse minimizada?
Recordemo-nos do nosso último desentendimento familiar.

Será que a maneira como agimos e nos comportamos realmente era a única possível?
Ao fazermos essa breve análise, claro fica que poderíamos ter tido outras atitudes.
Poderíamos nos calar em algum momento, ao invés de soltar a palavra ácida e corrosiva.

Poderíamos buscar o entendimento ao invés da provocação. Poderíamos suavizar o tom de voz ao invés dos arroubos no falar.
Porém, se optamos por agir de outras maneiras, não foi culpa de ninguém, nem de situação nenhuma. Foi apenas uma opção pessoal.
Poderíamos ter pensado antes de falar, refletido antes de agir, mas preferimos a reação à ação.

Enquanto a reação é irrefletida e calca-se nos instintos, a ação é atitude pensada e amadurecida na reflexão.
Desta forma, ao dizer que perdemos a paciência, ao constatar que saímos do sério, somos responsáveis por essas atitudes.

E, apenas vítimas de nós mesmos.
Jamais poderemos justificar que alguém nos faz perder a paciência.

Ao contrário, somos nós que não temos a paciência suficiente para a situação que se apresenta.
Ou ainda, de maneira nenhuma poderemos acreditar que algo ou alguém nos faz sair do sério, nos faz perder a compostura.
A atitude tomada é sempre uma opção de cada um que, perante tal ou qual situação, não consegue ou não quer comportar-se de maneira mais digna ou melhor.
Assim, não mais nos permitamos ser vítima de nossas próprias atitudes ou reações.
Reflitamos antes do agir, pensemos mais detidamente antes de falar e, acima de tudo, compreendamos que todas as nossas relações sociais, por mais difíceis que nos pareçam, são lições abençoadas no aprendizado do amor ao próximo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Na barca do coração

Quando as nuvens negras dos pensamentos tormentosos cobrirem com escuro véu o horizonte de tuas esperanças e a barca de teu coração agitar-se, desgovernada, sobre as ondas...
Quando as obrigações diárias, as dificuldades e os problemas, as surpresas - nem sempre agradáveis -, levarem-te a dizer: - Que dia!
Lembra-te...
Caía a tarde e a multidão ainda estava reunida na praia.
Desde que o sol surgira, Jesus atendera as incontáveis súplicas daqueles que O buscavam. Mãos e lágrimas roçavam-Lhe o rosto e a túnica - antes tão limpa e alva - e agora, toda manchada de lamentos.
Finalmente, chegara às margens do lago, vencendo a dor e as tristezas dos sofredores. Aqueles que O viram deixando atrás de Si um rastro confortador de estrelas, perguntavam-se: - Quem será este Homem, a Quem as dores obedecem?
O céu acendia as cores da noite quando a barca de Pedro recolheu a preciosa carga.
Jamais Jesus mostrara na face sinais tão evidentes de cansaço.
Acomodado sobre uma almofada de couro, Sua majestosa cabeça pendeu sobre o peito, como um girassol real despedindo-se ao poente.
Seus lábios deixaram escapar um longo suspiro antes de adormecer.
Seus amigos pescadores não ousaram perturbar-Lhe o merecido sono, manejando remos com cuidado, auxiliados pelos sussurros de doce brisa.
O lago de Genesaré assemelhava-se a gigantesco espelho de prata ao luar, tranqüilo e sereno como o Mestre adormecido.
Faltava pouco para completar a travessia, quando tudo transformou-se.
O tempo irou-se, sem aviso. Adensadas, as nuvens de gaze leve tornaram-se tenebrosa tempestade, e o lago esqueceu a calmaria, encrespando-se, açoitado pelo vento.
Para a barca, vencer a tormenta era como lutar contra vigoroso e invencível Titã. Pedro usou toda a sua força e sabedoria nos remos, gritando ordens que se perdiam entre as gargalhadas dos trovões e dos relâmpagos.
Os discípulos assustados correram a acordar Jesus que ainda dormia.
Mestre! - exclamaram em coro desesperado - Perecemos! Jesus, assim desperto, levantou-Se prontamente, equilibrando o corpo cansado muito ereto, apesar da barca que por pouco não naufragava.
Sua majestosa silhueta parecia estar envolta em misteriosa luz, quando ergueu os braços, ordenando à tempestade:
Calai-vos! E voltando-se para os amigos: - Acalmai-vos! Homens, onde está a vossa fé?
Os ventos emudeceram e o lago baixou suas ondas, aplacado por misterioso imperativo.
Os discípulos olhavam-se, num misto de surpresa e alívio.
Envergonhados, voltaram-se para os remos. No compasso ritmado avançava a barca, ao compasso do coração daqueles homens que se perguntavam: Quem será este Homem, a Quem os ventos obedecem?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Deus dos homens

O que significa Deus para você?
A idéia que os povos fazem da divindade varia de acordo com o seu desenvolvimento intelectual.
Nos primeiros tempos da humanidade terrestre, os homens acreditavam em tantos Deuses quantos eram os fenômenos da natureza.
Havia o Deus dos trovões, das guerras, dos mares, do amor e assim por diante.
Naquele estágio evolutivo, havia também a necessidade de materializar Deus, para que pudesse ser apreciado pelos sentidos humanos.
Por essa razão surgiu a idéia de um Deus humanizado, um Deus semelhante ao homem.
E por ser um Deus fisicamente idêntico aos homens, deveria também ser portador de todos os vícios e paixões humanas.
Daí a idéia de um Deus ciumento, parcial na sua justiça, raivoso, tendencioso e interesseiro, como boa parte dos homens.
Foi por causa desse conceito de Deus que surgiram as idéias de barganha com a divindade, das trocas de favores, do mercado com as coisas sagradas.
Todavia, quanto mais o homem conhece sobre o universo e suas leis, mais próximo chega do conhecimento dos atributos de Deus.
Percebe, por razões óbvias, que Deus não pode ser material, porque se fosse estaria sujeito às leis da matéria, e por isso deduz que Deus é um ser imaterial.
E porque as leis naturais não mudam nunca, conclui que aquele que as criou deve ser também imutável.
Percebe que Deus deve ser onipresente e onisciente, pois tudo sabe e a tudo preside.
Deduz, ainda, que a divindade só pode ser a suprema justiça, pois o sol brilha para ricos e pobres, a morte chega tanto para os justos como para os injustos, não escolhe idade nem nacionalidade.
Conclui que Deus é a essência do amor, pois suas leis são extremamente misericordiosas, já que estabelece como meta final para todos os seus filhos a felicidade suprema, e dá a cada um o livre-arbítrio e todas as oportunidades de aprendizado que se fizerem necessárias, através das várias existências.
Talvez tenha sido por essa razão que Voltaire, escritor francês que viveu entre os séculos XVII e XVIII, quando alguém lhe perguntou se ele acreditava em Deus, respondeu:
"Eu não acredito no deus que os homens fizeram, mas gosto do Deus que fez os homens".
E esse Deus que fez os homens depositou em cada coração uma centelha do fogo sagrado que se chama amor.
E esse Deus, que é a inteligência suprema do universo, tem um plano de felicidade para cada um dos seus filhos.
E como Pai amoroso e bom, não faz as tarefas que competem aos seus filhos, mas lhes dá os recursos para que alcem o vôo definitivo da liberdade:
a razão e o sentimento.
Eis as duas asas de que necessitamos para conquistar a felicidade ideal, que tanto almejamos.
Você sabia?
Você sabia que viver religiosamente não quer dizer professar esta ou aquela religião?
Para viver religiosamente basta viver de acordo com as leis divinas em todas as áreas de relação: perante si mesmo, perante a família, perante a sociedade.
Quando Jesus recomenda o amor a Deus e o amor ao próximo como a si mesmo, dá a chave do progresso individual e também do coletivo, para todos aqueles que desejam encontrar a felicidade perene.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Esopo e a língua

Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia.
Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.
- Como? Perguntou o amo surpreso.

Tens certeza do que está falando?

Como podes afirmar tal coisa?
- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho.
Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.
- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo.
- A língua é, realmente, a maior das virtudes.

Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir.
- Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos.
- Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo.

Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo.
- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro.
Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua.

Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta:
- Por que vos admirais de minha escolha?
- Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios.
- Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais.

Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido.
- Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social.
- Acaso podeis refutar o que digo? Indagou Esopo.
Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.
***
Clareia e adoça tua palavra, para que o teu verbo não acuse nem fira, ainda mesmo na hora da consagração da verdade.
Fala pouco.

Pensa muito.
Sobretudo, faze o bem.

A palavra sem ação, não esclarece a ninguém.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A última bem-aventurança

É muito conhecida a passagem bíblica nominada de Sermão da montanha.
Nela, Jesus anuncia as bem-aventuranças.
Ele enaltece a conduta dos mansos, dos humildes e dos sedentos de justiça, dentre outros, afirmando que são bem-aventurados.
Entretanto, o Cristo anunciou mais uma bem-aventurança, que costuma passar despercebida.
Após Sua ressurreição, Ele apareceu a várias pessoas, mas o discípulo Tomé não estava entre elas.
Ao saber do evento, Tomé afirmou que somente acreditaria se visse os sinais do martírio em Jesus e neles pudesse colocar a mão.
A oportunidade não se fez tardar e o Mestre logo lhe apareceu.
Após Se mostrar, Jesus sentenciou:
Porque me viste, Tomé, creste.

Bem-aventurados os que não viram e creram.
É interessante observar que se tratava do momento em que os testemunhos dos Apóstolos principiariam.
Estava finda a época do aprendizado direto junto ao Messias Divino.
Ocorre que na luta pela implantação de um ideal nem sempre tudo corre à maravilha.
Costuma haver resistências e vários incomodados se fazem adversários da obra.
Para perseverar, nos momentos de dificuldade, é preciso ter fé.
Sem uma crença firme de que o bem vencerá torna-se fácil desistir no meio do caminho.
É necessário crer na efetivação do ideal antes de vê-lo concluído.
Feliz de quem possui a força íntima necessária para lutar sem esmorecer.
De quem acredita no bem, mesmo quando o mal aparentemente vence.
Quem precisa ver para crer hesita e desfalece com frequência.
Porque a corrupção parece crescer, duvida da vitória final da honestidade.
Porque são muitos os cruéis, acha que a compaixão talvez nunca vença.
Se o bem demora a se instalar, acredita que não compensa lutar por ele.
Bem se vê o quanto a fé é necessária em um projeto de longo prazo.
Sem essa certeza das coisas esperadas, a força esmorece e a luta é abandonada.
Nesses tempos turbulentos, convém refletir a respeito da firmeza da própria fé.
Acreditar firmemente na vitória do bem ajuda a jamais corromper a própria essência.
Sem essa convicção, pode-se ficar tentado a levar vantagem e a dar um jeitinho, em prejuízo da própria dignidade.
Ocorre que a dignidade e a fidelidade aos próprios valores são extremamente preciosas.
Elas propiciam paz de consciência e tornam possível andar de cabeça erguida em qualquer ambiente.
Bem-aventurado quem crê antes de ver e por isso tem a força de viver e construir o bem.


Pense nisso.

sábado, 14 de agosto de 2010

Os seres humanos

Os seres humanos, de modo geral, estão sempre muito preocupados em alcançar o sucesso.

O mundo convencionou que sucesso é o triunfo nos negócios, nas profissões, nas posições sociais, com destaque da personalidade, aplausos e honrarias.

Causam impacto as pessoas que desfilam no carro do poder. Despertam inveja a juventude elegante, a beleza física, os jogos do prazer imediato.

Produzem emoções fortes as conquistas dos lugares de relevo e projeção na política, na sociedade.

Inspiram mágoas aqueles que parecem triunfar na glória e êxito terrestres...

Esse sucesso, porém, é de efêmera duração.

Todos passam pelo rio do tempo e transformam-se.

Risos se convertem em lágrimas...

Primazias cedem lugar ao abandono...

Bajulações são substituídas pelo desprezo...

Beleza e juventude são alteradas pelos sinais da dor, do desgaste e do envelhecimento.

O indivíduo que luta pela projeção exterior, sofre solidão, vazio, frustrações e tédio. Aquele tido pela sociedade como uma pessoa de sucesso não é, necessariamente, uma pessoa feliz.

Todavia, muitos perseguem esse sucesso com sofreguidão, e para mantê-lo desgastam-se emocionalmente, inspiram ódios, guerras surdas ou declaradas, acumulam desgostos.

Todavia, há um outro sucesso efetivo e duradouro que os cristãos têm esquecido: é a vitória sobre si mesmo e sobre as paixões primitivas.

Dessa conquista ninguém toma conhecimento. Mas a pessoa que a busca, sente-se vencedora, por dominar-se a si mesma, alterando o temperamento, as emoções degradantes, e sente a paz como conseqüência.

O indivíduo que experimenta o sucesso interno torna-se gentil, afável, irradiando bondade, e conquista, em profundidade, àqueles que dele se acercam.

Quando, no entanto, é externo esse triunfo, a pessoa torna-se ruidosa, impondo preocupação para manter o status, chamar a atenção, atrair os refletores da fama.

O sucesso sobre si mesmo acentua a harmonia e aumenta a alegria do ser, que se candidata a contribuir em favor do grupo social mais equilibrado e feliz, levando o indivíduo a doar-se.

O sucesso de Júlio César, conquistador do mundo, entrando em Roma em carro dourado e sob aplausos da multidão, não o isentou do punhal de Brutus nas escadarias do Senado.

O sucesso de Nero, suas conquistas e vilezas, não o impediram da morte infamante a que se entregou desesperado.

O sucesso de Hitler, em batalhas cruéis nos campos da Europa e da África, não alterou a sua covardia moral, que o conduziu ao suicídio vergonhoso.

O sucesso, porém, de Gandhi, fê-lo enfrentar a morte proferindo o nome de Deus.

O sucesso de Pasteur auxiliou-o a aceitar a tuberculose com serenidade.

O sucesso dos mártires e dos santos, dos cientistas e pensadores, dos artistas e cidadãos que amaram, ofereceu-lhes resistência para suportarem as afrontas e crueldades com espírito de abnegação, de coragem e de fé.

Pense nisso!

Sem ficarmos alheios ao mundo, ou abandonarmos a luta do convívio social, busquemos o sucesso - a vida correta, os valores de manutenção do lar e da família, o brilho da inteligência, da arte e do amor - e descobriremos que, nessa boa luta, teremos tempo e motivo para o outro sucesso, o de natureza interior.

A LEALDADE IGNORADA

Uma das mais belas qualidades humanas é a lealdade. Quanta grandeza em saber reconhecer um benefício com gestos de fidelidade.

Mas não é isso o que vemos sempre pelo Mundo. Muito pelo contrário.

O mais freqüente é encontrarmos por toda parte o desamor como pagamento àqueles que estendem a mão em auxílio ao próximo.

Quantas vezes vemos amizades e famílias desfeitas, boas lembranças esquecidas. Tudo em nome da deslealdade, que nada mais é do que uma forma de ingratidão.

Assim, vale a pena refletirmos sobre a natureza do que é desleal. Quem agiria assim? Quem seria capaz de pagar um benefício com uma traição? E por que razão faria isso?

Vamos responder por partes. Desleal costuma ser a maior parte da Humanidade em algum momento da vida.

Dificílimo é encontrar alguém que sempre age corretamente, que pauta seus atos pela extrema correção, em todas as ocasiões.

Por outro lado, as razões que levam à deslealdade são sempre baseadas no egoísmo. O egoísta não se preocupa com o bem-estar do outro. Para ele, seus interesses vêm em primeiro lugar.

Por isso, o egoísta não se envergonha em atraiçoar aquele que lhe estendeu mão amiga. Movido por interesses financeiros, por orgulho ou vaidade, não hesita em dar as costas para um amigo ou um ser querido.

E o que é alvo de um gesto de deslealdade – o que deve fazer?

Antes de tudo cabe não julgar. O desleal é alguém doente. Não um doente do corpo, mas um doente da alma, a quem nos cabe perdoar.

Perdoar? Sim, perdoar. Costumamos afastar de nosso dia-a-dia a prática do perdão.

Falamos tanto em perdão e enaltecemos seu valor na hora da provação.

Mas, basta que alguém nos fira, para imediatamente esquecermos tudo o que costumamos falar sobre a necessidade de perdoar o próximo. É uma conveniência.

Assim, diante da deslealdade, recordemos Jesus, que nos ensina a não resistir ao mal.

É o Cristo que nos convida a pagar o mal com o bem, a oferecer a outra face, a perdoar constantemente.

O valor do perdão é maior quanto mais grave é a deslealdade. Quando o desleal é uma alma querida, a quem sempre oferecemos o melhor em termos de amizade.

Uma fórmula preciosa para esses instantes é recorrer à prece. A oração balsamiza a alma, acalma o coração, ilumina os dias.

Se o coração do que é agredido está sereno, ele está liberto.

E o outro? Ah, a questão não é mais entre um e outro. A questão é entre Deus e cada um de nós. O outro? A questão é entre ele e Deus.

De nossa parte, devemos nos preocupar única e exclusivamente com a nossa consciência perante as Leis Divinas. Se estamos em paz, tudo está bem.

Isto, acredite, é também um exercício de desapego. Não contabilizar benefícios faz parte da essência da verdadeira caridade.

Se fizermos um bem a alguém, devemos fazê-lo por amor a Deus, pelo prazer de ser bom, pela alegria de ver os outros felizes.

Fazer o bem simplesmente, sem esperar recompensa, sem aguardar retribuição.

Foi isso o que Jesus nos ensinou. Pense nisso!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ÀS VOLTAS COM ESPÍRITOS

Não é necessário que alguém acredite na existência de entidades espirituais, para que elas atuem das formas mais diversas na vida das pessoas.
Não se faz indispensável que alguém seja espiritualista, a fim de estar às voltas com as ações de espíritos desencarnados nos caminhos humanos.
É importante lembrar que a humanidade terrena é composta por todos os espíritos que o criador a ela destinou, em razão da lei de afinidades, e os colocou sob a coordenação de Jesus, O Cristo.
Daí, não será difícil compreender que num mundo com tantas potencialidades, com tantos recursos a serem explorados, como é a terra, a grande massa dos espíritos a ele vinculados se acha desencarnada.
Há mais espíritos no plano espiritual do que reencarnados. Isto explica porque o número dos mortais cresceu tanto, através dos séculos.
Vivendo essa realidade de um mundo considerado em dois níveis gerais, o nível dos que estão no corpo físico e o dos que se encontram fora dele, não é surpreendente a constatação de que ocorram influências recíprocas de um nível sobre o outro.
Imensa é a leva de desencarnados que procura contatar os encarnados, seja para ajudar, em qualquer coisa, seja para participar de qualquer tarefa, ou seja para perturbar, de qualquer forma.
Enorme é a massa de encarnados que deseja contatar os desencarnados, seja para pedir uma ajuda banal, seja para vingar-se de desafetos ou seja para rogar um socorro direto em casos complexos.
Há entidades espirituais que gostam somente de fazer o bem, de ajudar para o bem, de participar de qualquer esforço pelo bem.
No entanto, há outras inteiramente voltadas para o contrário, dando vazão as suas inclinações inferiores, ainda não devidamente transformadas.
Uma vez que você sabe disso, observe o tipo de sintonias, de contatos mentais que faz e que deseja fazer com os espíritos.
Analise os conteúdos dos seus pedidos dirigidos ao além e o teor das suas expectativas diante da vida, mantendo a certeza de que quaisquer que sejam suas buscas, alguma entidade espiritual a elas se associará.
As suas decisões quanto ao seu estilo de vida, as suas relações de afeto ou desafeto, ao rumo que dê as suas realizações na faixa da honestidade ou da desonestidade, funcionarão como tomadas ideais para a sua ligação com nobres mensageiros da luz ou com desafortunados agentes da sombra.
Busque a Jesus e una-se a Ele em tudo o que faça.

Viva com alegria interior, aprenda a enfrentar e superar problemas sem ódios, sem guardar mágoas de ninguém.
Solte-se.

Viva em clima de liberdade espiritual, por conservar o coração e a mente livres de vínculos com espíritos perturbadores.
Busque Jesus e tudo o que se refira ao bem, e esteja certo de usufruir a melhor assistência invisível, atraída por suas felizes predisposições morais.
Pense nisso!
Quando um familiar falece e volta ao mundo dos espíritos, não se torna melhor nem pior do que era quando no corpo físico.
Por essa razão, não o perturbe com pedidos que ele não pode ou não deve atender.
Confie sempre em Deus, Pai de todos nós, e a ele dirija a sua prece ou o seu pedido.
Mas lembre-se de levar em conta que o Pai conhece nossas necessidades e sempre nos dá o que precisamos, que nem sempre é o que queremos.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quando tudo dá errado

O que se faz naquele dia em que tudo parece dar errado?
Há quem diga: Levantei com o pé esquerdo.
Entende-se que quem assim fala, acredita que um pé é mais valioso do que outro.
Esquece-se de que ambos os pés são preciosos, pois que a base sobre a qual recai o peso do corpo, sustentado pelas pernas.
De toda forma, nesse dia em que tudo deve dar errado, porque começou errado, o que fazer?
Primeiro: repelir a idéia de uma perseguição de Deus aos Seus filhos.
As coisas não dão errado porque Deus quer.
Dão errado porque nós, os Seus filhos, agimos errado.
Vejamos. Você levantou pela manhã atrasado? De quem é a culpa?
Não é do despertador, que não soou o alarme, ou soou mais tarde.
A questão é sua, porque quem programa as funções do aparelho é você.
Portanto, não há porque se zangar. O que acontece, em seguida, para o melhor ou para o pior, é sua decisão.
Você pode levantar de um pulo, pôr-se em pé, sair às tontas do quarto e... se bater na porta, em um móvel.
Pensasse que nada traria de volta os minutos passados, levantaria com calma e faria tudo com mais vagar.
Quando você está com pressa e tenta fazer várias coisas ao mesmo tempo, tem muita probabilidade de algo desagradável acontecer.
O leite transborda, sujando o fogão, você se corta ao fazer a barba, o botão da camisa cai, pela violência que você usa, tentando abotoá-lo.
Enfim, a lista é quase interminável. E a culpa, com certeza, não é de Deus.
Faça tudo com calma. O carro não dá partida?
Verifique o porquê e resolva, se possível, sem se estressar.
Perdeu o horário do ônibus?
Lembre que a sua ansiedade ou a sua irritação não fará o próximo se adiantar. Espere.
Se preciso, avise seu superior, sua chefia, seu cliente, do atraso.
Se perderá uma aula, uma prova, já perdeu. De que adianta gritar, se zangar? Nada trará de volta os minutos perdidos.
A palavra já diz: perdidos.
O trânsito está congestionado? Não faça tolices, não viole as regras do bom motorista.
Tenha sempre à mão um livro, uma revista e aproveite o tempo.
A chuva o surpreendeu no caminho? Aguarde um pouco. Tudo passa. A chuva também passa.
Aguardar um pouco não lhe deve causar maior preocupação.
Enfim, em tudo seja responsável e pense que em suas mãos está permitir que tudo ande nos eixos, ou não ande.
Tudo se resolva, a pouco e pouco, ou não.
Por fim, pense: não vale a pena perder minutos preciosos da vida por estresse, irritação ou impaciência.
Deus quer a sua felicidade. Colabore com Ele nesta conquista.
* * *
Tudo no Universo traduz harmonia, precisão. Os planetas obedecem às suas trajetórias e cada qual se enquadra, na linha do dever que lhe é própria.
Os astros giram, as estrelas lançam sua luz ao espaço. Tudo obedece ao Grande Pai de todos nós.
Não sejamos diferentes. Harmonizemo-nos.
Colaboremos com nossa própria felicidade.
E pensemos a cada dia: Hoje tudo vai dar certo. Perfeitamente certo.
Eu farei o possível para tudo acontecer acertadamente.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O raio de luz

Todas as noites antes de fazer os filhos adormecerem, um pai muito carinhoso conversava com eles, enquanto afagava-lhes os cabelos anelados.

Diariamente escolhia um assunto que encontrava no evangelho, ou em algum acontecimento do cotidiano.

Naquela noite sem luar, quando as nuvens encobriam as estrelas, ele arranjou uma forma diferente de chamar a atenção das crianças.

Colocou-as no sofá da sala e disse-lhes que não se assustassem com a escuridão, porque apagaria todas as luzes da casa, de propósito.

E assim o fez.

Deixou a casa às escuras e sentou-se no meio dos filhos que o aguardavam apreensivos.

Perguntou-lhes o que eles eram capazes de ver em meio àquele breu.

O menininho mais velho comentou que conseguia distinguir os contornos da cadeira que estava a sua frente, mas que não conseguia saber ao certo qual objeto produzia a sombra que se apresentava um pouco mais adiante.

O pai, aproveitando a oportunidade esclareceu: "nossos olhos acostumam-se com a ausência de luz e acabam conseguindo, com algum esforço, distinguir alguns objetos.

Porém, não é possível notar tudo quando a luz nos falta.

Alguns contornos podem enganar nossos sentidos.

Muitos detalhes passam despercebidos.

As cores deixam de ser perceptíveis.

A ausência de luz dificulta nosso caminhar, porque não conseguimos notar com segurança para aonde estamos indo."

Nesse momento, ele acendeu uma vela que trazia consigo.

As crianças exultaram diante da claridade que se fez na sala.

"Vejam!" - convidou o pai -"percebam como tudo parece diferente na presença da luz.

As sombras já não mais nos confundem.

Agora as formas assumem contornos mais exatos.

Como é mais fácil buscar um caminho, quando há luz a mostrar a direção correta."

Encantadas com a singela, porém, inesquecível descoberta, as crianças concordaram com o pai, enquanto o cobriam de carinhos antes de serem levados para a cama.

A maior glória da alma que deseja participar na obra de Deus será transformar-se em luz na estrada de alguém.

Registramos a luz sem nos adentrar em sua grandeza.

O raio de luz penetra a furna escura, levando a réstia de claridade que espanca as trevas.

Adentra o vale sombrio e estimula o florescer.

Atinge a gota d’água e reverte-a em um diamante multicolorido.

Visita o pântano e transforma-o em jardim, em pomar.

Viaja pelo ar, aquece vidas e alimenta-as.

Beija as corolas e desata perfumes inesquecíveis.

Aninha-se no cristal e ele reverbera, embelezando-se ainda mais.

***

Não nos deixemos adoecer pelo amolentamento.

Há tantas possibilidades de darmos utilidade e beleza à vida.

Com o exemplo da luz, o Criador convida-nos a fazer o mesmo.

Desfaçamos as sombras nos corações.

Drenemos os charcos das almas.

Projetemos alegrias fomentadoras de vida naqueles que se encontram combalidos pela tristeza e pelo desalento.

Sejamos também um raio de luz, espraiando brilho e calor, beleza e harmonia, em todos os momentos, iluminando, assim, também, nossos próprios caminhos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

A VONTADE

As causas da felicidade não se acham em lugares determinados do espaço.
Elas estão em nós, nas profundezas da alma.
O Reino dos Céus está dentro de vós, disse o Cristo.
Tal premissa é confirmada por várias outras doutrinas.
É na vida íntima, no desabrochar de nossas faculdades, de nossas virtudes, que está o manancial das felicidades futuras.
Olhemos atentamente para o fundo de nós mesmos.
Fechemos, por alguns instantes, nosso entendimento às coisas externas.
Depois de havermos habituado nossos sentidos ao silêncio, seremos capazes de ouvir vozes fortificantes e consoladoras.
As vozes de nossas próprias consciências.
Há poucos homens que sabem ouvir seus próprios pensamentos.
Raros são aqueles capazes de reconhecer e explorar os próprios potenciais.
Geralmente alguns de nós gastamos a vida em coisas banais, improdutivas.
Percorremos o caminho da existência sem nada saber a respeito de nós mesmos, de nossas riquezas íntimas.
E então nos perguntamos:

Como poderemos nos valer das nossas capacidades, orientando-as para um ideal elevado?
Pela vontade!
É através dela que dirigimos nossos pensamentos para um alvo determinado.
Na maior parte dos homens os pensamentos flutuam sem cessar.
Sua mobilidade constante e sua variedade infinita oferecem pequeno acesso às influências superiores.
É preciso saber concentrar-se, colocando o pensamento em sintonia com o Pensamento Divino.
Só assim a alma humana poderá ser envolvida pelo Espírito Divino, tornando-a, dessa forma, apta para realizar nobres tarefas.
A vontade é a maior de todas as potências e seu poder é ilimitado.
Sua ação é comparável a de um ímã.
O homem, consciente de si mesmo e de seus recursos latentes, sente crescerem suas forças na razão dos esforços que desenvolve em determinado sentido.
Sabe que, tudo o que de bem e bom desejar há, de mais cedo ou mais tarde, realizar-se, nesta ou em existências futuras, quando seu pensamento estiver de acordo com as Leis Divinas.
* * *
Como é belo e consolador poder dizer: Conheço a grandeza e a força que habitam em mim.
Elas hão de ser meu amparo e minha certeza, em todos os instantes de minha vida.
Com o auxílio de Deus e dos benfeitores espirituais, hei de elevar-me acima de todas as dificuldades.
Vencerei o mal que ainda há em mim.
Abrirei mão de tudo o que me acorrenta às coisas grosseiras deste mundo, para levantar vôo em direção a estágios mais felizes.
Vejo claramente o longo caminho a ser percorrido.
Nada, porém, poderá me impedir de prosseguir nessa estrada.
Tenho um guia seguro para me enobrecer e me elevar, que é a vontade.
Hei de conservar-me firme e inabalável, sempre em frente.
Com minha vontade conquistarei a plenitude da existência.
Farei de mim uma criatura melhor.
Para isso, basta que eu queira alcançar toda essa ventura com energia e com constância.
E diga, para mim mesmo, conclamando-me à elevação e à marcha, apressando-me, assim, para a conquista de meu próprio destino: a felicidade verdadeira.

terça-feira, 4 de maio de 2010

MAS...

O amor de Deus está presente por toda parte. A natureza fala da sua grandeza em cada detalhe.

E o amor de Deus é a própria esperança se derramando sobre toda a criação.

Quando observamos as cinzas de um campo queimado, talvez pensemos que a vida ali se extinguiu para sempre.

Mas em pouco tempo as plantas brotam, mais verdes que nunca, mostrando que nada consegue deter a vida.

Quando vemos os escombros deixados pela fúria das tempestades, pode nos parecer que nada mais poderá existir em tão deprimente paisagem.

No entanto, em breve tempo as mãos hábeis e competentes dos homens deixam o local em condições de ser habitado novamente.

Quando olhamos vastas extensões de terras esturricadas pela estiagem, temos a impressão de que a vida bateu em retirada, para sempre.

Mas, para espanto de todos, a chuva cai de mansinho, penetrando o solo castigado, acordando as sementes que jaziam adormecidas e, em pouco tempo o que era deserto se converte em imenso jardim multicolorido.

É assim que Deus nos fala da esperança, a cada instante.

Foi observando esses pequenos detalhes da natureza, que um poeta escreveu o poema que reproduzimos a seguir:

E eu que achei que a lua não brilhasse sobre os mortos no campo da guerrilha, sobre a relva que encobre a armadilha ou sobre o esconderijo da quadrilha,... Mas brilha.

E achei que nenhum pássaro cantasse, se um lavrador não mais colhe o que planta, se uma família vai dormir sem janta com um soluço preso na garganta,... Mas canta.

Também pensei que a chuva não regasse a folha cujo leite queima e cega, a carnívora flor que o inseto pega ou o espinho oculto na macega,... Mas rega.

Pensei, também, que o orvalho não beijasse a venenosa cobra que rasteja, no silêncio da noite sertaneja, sobre as ruínas de esquecida igreja,... Mas beija.

Imaginei que a água não lavasse o chicote que em sangue deprava, quando, de forma monstruosa e brava, abre trilhas de dor na pele escrava,... Mas lava.

Apostei que nenhuma borboleta - por ser um vivo exemplo de esperança - dançaria contente, leve e mansa sobre o túmulo de uma criança,... Mas dança.

E eu pensei que o sol não mais aquecesse os campos que a guerra empobrece, onde tomba do homem a própria espécie, e a sombra da dor enlouquece,... Mas aquece.

Por isso achei que eu não mais fizesse poema algum, após tanto embaraço, tanta decepção, tanto cansaço e tanta espera, em vão, por teu abraço,... Mas faço.

*********

O mesmo calor solar, que mantém no estado líquido a água dos rios e dos mares, conduz a seiva à fronde das árvores e faz pulsar o coração dos abutres e das pombas.

A luz que espalha o verde nos prados, e nutre as plantas com um sopro impalpável, também povoa a atmosfera de maravilhosas belezas aéreas.

O som que estremece a folhagem, canta na orla dos bosques, ruge nas plagas marinhas.

Em tudo vemos, enfim, uma correlação de forças físicas, que abrange num mesmo sistema a totalidade da vida sob a comunhão das mesmas leis. Que são as soberanas leis divinas.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

DEUS NÃO TEM PRESSA

Você já se deu conta de que Deus não tem pressa?

A pressa é um dos maiores males dos tempos modernos. É como se a Humanidade desejasse acelerar os acontecimentos num período de tempo muito curto.

E a educação das nossas crianças não foge à regra.

Quando nosso filho procede com infantilidade aos cinco anos de idade, por exemplo, dizemos: Por que não se comporta como um homenzinho?

Qualquer pessoa sensata sabe que ele não é um homenzinho. Mas queremos que a criança aja como adulto, não porque seja bom para ela, mas porque é conveniente para nós. Talvez não porque achemos isso certo, mas porque estamos impacientes.

Roubamos os nossos filhos quando os fazemos atravessar às pressas a infância. Também a nós logramos porque perdemos a oportunidade de nos deixar contagiar pela sua inocência, sua curiosidade espontânea, sua admiração natural, sua alegria sem restrições.

Muitas vezes, a nossa impaciência impede o desenvolvimento de grandes inteligências e de grandes almas, porque esquecemos de que a assimilação do bem é um processo lento.

Certa vez, um pai perguntou ao Diretor de uma Universidade se o Currículo Escolar não poderia ser simplificado para que seu filho pudesse ir por um caminho mais curto.

Sem dúvida, respondeu o educador. Tudo depende, porém, do que o senhor queira fazer do seu filho. Quando Deus quer fazer um carvalho, por exemplo, leva cem anos. Quando quer fazer uma abóbora, precisa apenas de três meses.

É comum nos esquecermos de que as engrenagens das nossas vidas estão interligadas com as do Criador. Assim sendo, como os dentes das engrenagens dos planos de Deus são mais fortes do que os das nossas, quando aceleramos mais que Deus, as nossas se quebram.E por essa razão, cansamo-nos, despedaçamo-nos.

A natureza nos oferece muitas indicações de que o nosso ritmo alucinado não é normal.

Quando saímos dos lugares superlotados, fugimos dos horários e andamos por entre as árvores que crescem devagar e as montanhas silenciosas que parecem estar sempre tranqüilas, absorvemos um pouco da serenidade e da calma da natureza.

No entanto, não devemos confundir paciência com passividade, inércia, e esperar que tudo seja feito por nós. Paciência é determinação de começar cedo a empregar o tempo para realizar coisas úteis.

A melhor ilustração de tudo isso pode ser o caso da menina que disse à mãe, logo depois que uma senhora de cabelos brancos saiu de sua casa: Se eu pudesse ser uma velha assim, tão simpática e tão boazinha, não me importaria de envelhecer.

Está muito bem, respondeu a mãe. Se você quer ser uma velha assim, convém começar desde já, pois ela não ficou assim às pressas.

Pense nisso!

O Sol leva todo o tempo que lhe é necessário para nascer e se pôr. Não é possível apressá-lo.

O gelo no lago se derreterá quando a temperatura do ar for apropriada.

As aves migratórias chegarão e partirão quando estiverem prontas para isso.

Até as invenções, sobre as quais o homem aparentemente exerce absoluto controle, só chegam no tempo próprio, quando a oportunidade amadureceu e a cultura está pronta para recebê-las.

Uma vez mais o Mestre de Nazaré tinha razão ao dizer: Primeiro a erva, depois a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga.

Quis com isso dizer que tudo vem a seu tempo, sem pressa nem desespero.

Pensemos nisso!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Quando tudo dá errado

O que se faz naquele dia em que tudo parece dar errado?
Há quem diga: Levantei com o pé esquerdo.
Entende-se que quem assim fala, acredita que um pé é mais valioso do que outro.
Esquece-se de que ambos os pés são preciosos, pois que a base sobre a qual recai o peso do corpo, sustentado pelas pernas.
De toda forma, nesse dia em que tudo deve dar errado, porque começou errado, o que fazer?
Primeiro: repelir a idéia de uma perseguição de Deus aos Seus filhos.
As coisas não dão errado porque Deus quer.
Dão errado porque nós, os Seus filhos, agimos errado.
Vejamos. Você levantou pela manhã atrasado? De quem é a culpa?
Não é do despertador, que não soou o alarme, ou soou mais tarde.
A questão é sua, porque quem programa as funções do aparelho é você.
Portanto, não há porque se zangar. O que acontece, em seguida, para o melhor ou para o pior, é sua decisão.
Você pode levantar de um pulo, pôr-se em pé, sair às tontas do quarto e... se bater na porta, em um móvel.
Pensasse que nada traria de volta os minutos passados, levantaria com calma e faria tudo com mais vagar.
Quando você está com pressa e tenta fazer várias coisas ao mesmo tempo, tem muita probabilidade de algo desagradável acontecer.
O leite transborda, sujando o fogão, você se corta ao fazer a barba, o botão da camisa cai, pela violência que você usa, tentando abotoá-lo.
Enfim, a lista é quase interminável. E a culpa, com certeza, não é de Deus.
Faça tudo com calma. O carro não dá partida?
Verifique o porquê e resolva, se possível, sem se estressar.
Perdeu o horário do ônibus?
Lembre que a sua ansiedade ou a sua irritação não fará o próximo se adiantar. Espere.
Se preciso, avise seu superior, sua chefia, seu cliente, do atraso.
Se perderá uma aula, uma prova, já perdeu. De que adianta gritar, se zangar? Nada trará de volta os minutos perdidos.
A palavra já diz: perdidos.
O trânsito está congestionado? Não faça tolices, não viole as regras do bom motorista.
Tenha sempre à mão um livro, uma revista e aproveite o tempo.
A chuva o surpreendeu no caminho? Aguarde um pouco. Tudo passa. A chuva também passa.
Aguardar um pouco não lhe deve causar maior preocupação.
Enfim, em tudo seja responsável e pense que em suas mãos está permitir que tudo ande nos eixos, ou não ande.
Tudo se resolva, a pouco e pouco, ou não.
Por fim, pense: não vale a pena perder minutos preciosos da vida por estresse, irritação ou impaciência.
Deus quer a sua felicidade. Colabore com Ele nesta conquista.
* * *
Tudo no Universo traduz harmonia, precisão. Os planetas obedecem às suas trajetórias e cada qual se enquadra, na linha do dever que lhe é própria.
Os astros giram, as estrelas lançam sua luz ao espaço. Tudo obedece ao Grande Pai de todos nós.
Não sejamos diferentes. Harmonizemo-nos.
Colaboremos com nossa própria felicidade.
E pensemos a cada dia: Hoje tudo vai dar certo. Perfeitamente certo.
Eu farei o possível para tudo acontecer acertadamente.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A CRENÇA EM DEUS

O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não é fruto da educação, nem resultado de idéias adquiridas.

A prova disso é que esse sentimento é universal e o encontramos mesmo entre selvagens.

Esse sentimento instintivo a respeito da existência de um ser superior nos afirma que Deus existe.

Foi isso que Dana aprendeu com seu filho. Quando ela mesma era criança, não conseguia entender algumas coisas que lhe ensinavam.

Por exemplo, perguntava, se os anjos ficavam tocando música no céu, como é que as nuvens conseguiam sustentar os pianos?

Ou então, como é que Jesus poderia ajudar alguém ficando preso a uma cruz com pregos enfiados em suas mãos?

Porque não encontrasse as respostas adequadas, ela abandonou a religião e passou a não acreditar em Deus. Casou, tornou-se mãe e nunca a questão religiosa foi tratada em seu lar.

Agora, sozinha com seu filho de 4 anos, ela estava ansiosa por notícias de seu marido. Ele partira para o Iraque, convocado pelo exército.

Ela temia que ele não voltasse. Estranhamente, o pequeno Luke falava calmamente com seu pai ao telefone.

Certa noite em frente à TV, ela ouviu a entrevista de um soldado que estava de licença para se casar.

Ele dizia ter medo de voltar para o Iraque, porque aquilo tudo era muito perigoso.

Pelo canto do olho, Dana viu que Luke, sentado também em frente à TV juntou os dedinhos e baixou a cabeça por uns segundos.

“O que é que você está fazendo, filho?”

Ele não quis contar. Mas, depois de alguns minutos, repetiu o gesto.

Ela insistiu:

“Filho, você não precisa me contar se não quiser. Mas se quiser, estou ouvindo.”

O menino cravou nela os olhos límpidos e falou baixinho:

"Estou rezando pelo papai."

Ela ficou desconcertada. A forma como criara seu filho o fazia sentir vergonha por rezar por seu pai, na sua própria casa.

Como a semente da fé fora parar no coração de seu filho ela desejava saber.

Por isso, perguntou quando ele começara a acreditar em Deus.

“Eu não sei”, foi a resposta do garoto. “Sempre soube que ele existia.”

A jovem mãe se deu conta que a fé havia encontrado um caminho até o coração de seu filho. Uma fé incondicional.

O garoto orava e guardava a certeza que Deus traria seu pai de volta.

E o trouxe. Contudo, se algo houvesse acontecido a ele, Luke saberia que seu pai estaria esperando por ele, em algum lugar, além desta vida.

Uma fé que o faz ter absoluta certeza que tudo é possível. E que, ao fim de sua vida, ele vai se juntar a seus heróis e entes queridos, mamãe, papai, avós e até o seu boneco de brinquedo.

As preces de Luke se estendem ao infinito e além. Ele tem certeza da existência de Deus, um Pai que o ama e se importa com ele, com seus amores. Seus brinquedos, com o seu mundo.

* * *

Quem tem fé, olha para a vida com lentes especiais. Quando caminha ao longo de um rio, não vê apenas a água correndo pelas pedras.

A paisagem o enche de êxtase. Enxerga um reino de esperança além deste mundo, enquanto os demais vêem apenas um regato murmurando.

Quem tem fé, contempla as estrelas com a certeza de que um dia todos chegaremos lá. Não importa quanto demore, o quanto custe.

Um dia, perfeitos, viveremos nas estrelas mais brilhantes, celestes mundos criados por Deus para a morada dos seus filhos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

VÓS SOIS DEUSES

“Vós sois deuses” (1), disse o Mestre de Nazaré, referindo-se à nossa condição de seres imortais.

“Podeis fazer tudo que faço e muito mais”(2), acrescentou ainda.

Recordamos-lhe a vida e o vemos andando pelas estradas, atendendo o povo, sem cansaço.

O povo, a sua paixão. Onde se manifestasse a dor, ei-lo a espalhar o consolo.

Ele adentra Naim e, deparando-se com um féretro que levava ao sepulcro um corpo jovem, compadece-se da mãe em prantos.

Estanca o passo dos homens e ordena ao moço que se erga, devolvendo-o à mãe, agora em júbilo.

Ele convive com a má-vontade e a ignorância dos homens. Ouve as perguntas, tolas por vezes, que lhe são dirigidas e as responde, elucidando.

Vai à casa dos apontados como corruptos, serve-se do momento para ensinar o bem, sem conspurcar-se.

Ergue a mulher equivocada de Magdala, convidando-a a reformulação íntima.

Recebe-lhe as demonstrações de carinho e ternura, mas insiste no convite à mudança de atitude.

Imparcial, sempre. Sereno, também.

Devolve a vista ao cego de nascença e lhe recomenda nada dizer a ninguém.

Como se pudesse o beneficiado deter a alegria de que se revestiu.

Liberta o homem de Gadara da legião de espíritos infelizes que o atormentavam.

Aponta diretrizes renovadas à mulher, na fonte, e lhe possibilita o crescimento espiritual.

Da virtude que emana de seu espírito oferta a cura ao problema hemorrágico da mulher das distantes terras de Cesaréia de Felipe.

Entra, triunfante, em Jerusalém, sem, no entanto, prender-se às efêmeras manifestações de júbilo com que o recebe o povo.

“Podeis fazer muito mais...”

* * *

Obediente à assertiva do Cristo, Albert Schweitzer embrenhou-se no coração da áfrica equatorial francesa e se dedicou aos seus irmãos negros.

Construiu seu hospital do nada, praticamente com as próprias mãos. Tudo para atender os pacientes africanos atacados de todas as doenças, desde lepra até elefantíase.

Foi-lhes médico, pastor, professor. Suportou-lhes a ignorância que os fazia comer os ungüentos receitados para afecções da pele.

Ou beber de uma só vez o vidro de medicamento destinado a durar semanas. Ou quando tentavam envenenar outros internos.

Quando o silêncio descia sobre o resto do acampamento, ele trabalhava até meia-noite, ou mais tarde ainda, escrevendo ou respondendo cartas.

Quando partiu para a África, Schweitzer pensou que estava abandonando para sempre as coisas que lhe eram mais caras: a arte e o ensino.

Mas sempre teve um piano consigo na África e assim pôde manter em dia sua música. Suas gravações de Bach em órgão obtiveram grande êxito.

Cada vez que voltava à civilização, fazia uma longa série de conferências, havendo sido homenageado por inúmeras universidades.

Além disso, trabalhando à noite, manteve uma produção literária constante. Os homens lhe reconheceram a grandeza: ele recebeu o prêmio Nobel da paz, em 1952.

“Vós sois deuses... Podeis fazer muito mais...”

Schweitzer fez. Que podemos nós realizar?

segunda-feira, 29 de março de 2010

VIVER COM SIMPLICIDADE

Uma vida simples, com prazeres singelos. Parece atraente? Para alguns, a poesia da vida simples é uma aspiração.

Não são muitos, mas aumenta a cada dia os que buscam um estilo de vida mais despojado.

Enquanto a grande massa se mostra adepta dos benefícios oferecidos pelas cidades, aos poucos o homem se mostra cada vez mais cansado da rotina urbana, enlouquecedora.

Poluição, engarrafamentos, ruídos. A floresta de edifícios a se perder no horizonte, escondendo céu e sol.

Tudo isso contribui para os estresses e angústias do homem contemporâneo.

Quando jovem, é natural que as pessoas desejem os desafios e facilidades das cidades, que oferecem objetos de desejo a cada esquina.

São as maravilhas da tecnologia, os bares da moda, as roupas de grife, os belos escritórios, as carreiras.

Tudo isso exerce tremendo fascínio. Mas, aos poucos, é possível observar que esse modelo está se esvaziando. Um certo cansaço começa a ser notado.

Uma expressão vem ganhando espaço: qualidade de vida. São cada vez mais numerosos os que desejam voltar aos ideais de uma vida simples, uma casa no campo, um contato mais estreito com a natureza.

Querem respirar ar puro, ver um pôr-do-sol dourado, passar noites de tranqüilidade em uma rede preguiçosa, manter conversas de fim da tarde.

A sensação que se tem é que a Humanidade, afinal, começa a perceber que a vida é muito mais do que prazeres passageiros.

As razões para o esgotamento do modo de vida urbano são o consumismo desenfreado e a sensação de estar numa corrida permanente.

No trabalho, o desafio é a competitividade, que atropela o ser humano e o consome, transformando-o em peça de uma fria engrenagem.

É um processo perverso, que suga as energias, estimula ciúmes e transforma em inimigos os que deveriam trabalhar em harmonia.

E uma pergunta costuma ser feita por quem está nessa roda-viva: Dá para viver com simplicidade nas grandes cidades?

É possível conciliar as exigências de uma carreira, da vida social e da família com uma rotina mais amena?

A resposta é... Sim! É possível conciliar tudo isso. Não é tarefa muito fácil, mas pode ser realizada.

Isso porque a simplicidade não é feita de demonstrações exteriores. Ela é um estado de espírito.

Não precisamos nos vestir de trapos, nem abrir mão de uma vida normal para ser pessoas simples.

A simplicidade está em viver a vida sem exigências descabidas. Quem opta pela simplicidade, descomplica o dia-a-dia.

Muitas vezes nos perdemos em detalhes completamente desnecessários. E, com isso, tornamos insuportável a nossa vida e a dos outros.

Observe com atenção e você perceberá: fazemos exigências demais por causa de coisas mínimas, das quais nem nos lembramos depois de algum tempo.

Por isso, a opção de viver com simplicidade é, antes de tudo, um jeito de agradecer a Deus pelo que recebemos.

Simplicidade é ter sonhos. Mas, se eles não se realizam por alguma razão, ainda assim a vida não perde a graça. Ou seja, apesar das tempestades, o contentamento permanece inabalável.

Quer ser feliz? Seja simples. Experimente o prazer das coisas que estão ao seu redor!

Olhe para o céu, veja as nuvens tingidas de ouro no infinito azul.

Ouça o som das risadas espontâneas, sinta o frescor de um copo de água, o sabor de uma fruta, a serenidade de uma noite bem dormida.

Veja a beleza de livros e canções. Quem disse que não há prazer nas coisas pequeninas que Deus pôs ao nosso alcance?

EU ME IMPORTO

Aconteceu em uma empresa. Nem muito grande, nem muito pequena.

O gerente chegou pela manhã e encontrou, esquecido frente à porta de entrada, um balde.

Não era um balde especial, não havia nele nenhuma marca. Um balde plástico, desses utilizados para limpeza.

Era evidente que uma das responsáveis pela limpeza, o esquecera ali.

Porque o balde dificultasse o acesso à entrada, o gerente o levou para dentro e colocou em um canto da sala de recepção.

Chamou uma das serventes e perguntou: este balde é seu?

A moça, desconfiada, olhou e disse com firmeza: não. É o que Maria utiliza na limpeza.

Obrigado, falou o gerente.

E chamou outra servente, fazendo a mesma pergunta. E outra.

A resposta de cada uma foi a mesma. Não era seu o balde.

E por não ser seu, o balde continuou no mesmo local onde fora colocado pelo gerente.

Finalmente, a quarta servente olhou o objeto, disse que não era seu, não fora ela que o esquecera ali.

Mas, resoluta, sem esperar qualquer ordem, pegou o balde e o foi colocar no seu devido lugar.

* * *

Um simples balde. Quanto tempo perdido!

Muitas vezes, agimos assim. Encontramos coisas fora do lugar, mas porque não nos pertencem, as deixamos ali.

Isso ocorre em casa, no ambiente de trabalho, na escola, na rua.

E seria tão simples e rápido colocar no lugar.

Desviar do objeto em vez de retirá-lo de onde se encontra indevidamente, ou procurar o “culpado”, requer muito mais esforço.

Enquanto persistirmos nessa posição de não fui eu e portanto não tenho nada com isso, o mundo não se tornará melhor.

Imaginemos o dia em que todos nos importarmos com as pequenas coisas.

Não haverá mais roupas fora do lugar, em nossos lares. Cada um procurará guardar o que é seu. E se alguma coisa, por acaso, ficar esquecida, o primeiro que chegar a colocará em seu devido lugar.

A pia não ficará tão cheia de pratos, copos e panelas porque quem primeiro chegar, providenciará a lavagem e a devolução às prateleiras e armários.

Nosso ambiente de trabalho se tornará um lugar de mútua cooperação e todas as tarefas acontecerão de forma mais eficiente e rápida.

Ninguém buscará saber quem esqueceu determinado material sobre a mesa ou o balcão. Simplesmente o apanhará e devolverá no local devido.

Quem precisar, sempre saberá onde encontrar.

Os computadores serão desligados ao final do dia. As luzes apagadas nas salas que não estão sendo utilizadas.

Na rua, não haverá latas e papéis jogados. Tudo será colocado nas lixeiras.

Mas, na hipótese do vento trazer lixo de algum lugar, quem passar primeiro, o recolherá e porá na lixeira.

Todo motorista estacionará de forma correta seu veículo, ocupando o exato espaço que necessita. Dessa forma, haverá mais vagas disponíveis para quem precise estacionar.

Assim, serão evitadas filas duplas indevidas, carros dificultando passagem de pedestres.

As praças estarão sempre bonitas e limpas.

Se alguém esquecer um copo, uma garrafa, um papel, sempre haverá outro alguém que se importa e providenciará a imediata retirada.

Esse mundo ideal que pensamos e desejamos não é o do futuro distante.

Ele pode começar amanhã, bastando apenas que cada um de nós inicie a campanha do eu me importo com isso. E aja.

Vamos todos começar hoje?