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sábado, 3 de julho de 2010

A última bem-aventurança

É muito conhecida a passagem bíblica nominada de Sermão da montanha.
Nela, Jesus anuncia as bem-aventuranças.
Ele enaltece a conduta dos mansos, dos humildes e dos sedentos de justiça, dentre outros, afirmando que são bem-aventurados.
Entretanto, o Cristo anunciou mais uma bem-aventurança, que costuma passar despercebida.
Após Sua ressurreição, Ele apareceu a várias pessoas, mas o discípulo Tomé não estava entre elas.
Ao saber do evento, Tomé afirmou que somente acreditaria se visse os sinais do martírio em Jesus e neles pudesse colocar a mão.
A oportunidade não se fez tardar e o Mestre logo lhe apareceu.
Após Se mostrar, Jesus sentenciou:
Porque me viste, Tomé, creste.

Bem-aventurados os que não viram e creram.
É interessante observar que se tratava do momento em que os testemunhos dos Apóstolos principiariam.
Estava finda a época do aprendizado direto junto ao Messias Divino.
Ocorre que na luta pela implantação de um ideal nem sempre tudo corre à maravilha.
Costuma haver resistências e vários incomodados se fazem adversários da obra.
Para perseverar, nos momentos de dificuldade, é preciso ter fé.
Sem uma crença firme de que o bem vencerá torna-se fácil desistir no meio do caminho.
É necessário crer na efetivação do ideal antes de vê-lo concluído.
Feliz de quem possui a força íntima necessária para lutar sem esmorecer.
De quem acredita no bem, mesmo quando o mal aparentemente vence.
Quem precisa ver para crer hesita e desfalece com frequência.
Porque a corrupção parece crescer, duvida da vitória final da honestidade.
Porque são muitos os cruéis, acha que a compaixão talvez nunca vença.
Se o bem demora a se instalar, acredita que não compensa lutar por ele.
Bem se vê o quanto a fé é necessária em um projeto de longo prazo.
Sem essa certeza das coisas esperadas, a força esmorece e a luta é abandonada.
Nesses tempos turbulentos, convém refletir a respeito da firmeza da própria fé.
Acreditar firmemente na vitória do bem ajuda a jamais corromper a própria essência.
Sem essa convicção, pode-se ficar tentado a levar vantagem e a dar um jeitinho, em prejuízo da própria dignidade.
Ocorre que a dignidade e a fidelidade aos próprios valores são extremamente preciosas.
Elas propiciam paz de consciência e tornam possível andar de cabeça erguida em qualquer ambiente.
Bem-aventurado quem crê antes de ver e por isso tem a força de viver e construir o bem.


Pense nisso.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Poema da Gratidão

Senhor Jesus, muito obrigada...
Pelo ar que nos dás,
pelo pão que nos deste,
pela roupa que nos veste,
pela alegria que possuímos,
por tudo de que nos nutrimos...

Muito obrigada pela beleza da paisagem,
pelas aves que voam no céu de anil,
pelas Tuas dádivas mil..

Muito obrigada, Senhor,
pelos olhos que temos...

Olhos que vêem o céu,
que vêem a terra e o mar,
que contemplam toda beleza...

Olhos que se iluminam de amor
ante o majestoso festival de cor
da generosa Natureza!

E os que perderam a visão?
Deixa-me rogar por eles
ao Teu nobre coração!
Eu sei que depois desta vida,
além da morte,
voltarão a ver com alegria incontida...

Muito obrigada pelos ouvidos meus,
pelos ouvidos que me foram dados por Deus.
Obrigada, Senhor, porque posso escutar
o Teu nome sublime e, assim, posso amar...

Obrigada pelos ouvidos que registram
a sinfonia da vida
no trabalho, na dor, na lida...
O gemido e o canto do vento nos galhos do olmeiro,
as lágrimas doridas do mundo inteiro
e a voz longínqua do cancioneiro...

E os que perderam a faculdade de escutar?
Deixa-me por eles rogar.
Sei que em Teu Reino voltarão a sonhar...

Obrigada, Senhor, pela minha voz,
mas também pela voz que ama,
pela voz que canta,
pela voz que ajuda,
pela voz que socorre,
pela voz que ensina,
pela voz que ilumina
e pela voz que fala de amor,
obrigada, Senhor!

Recordo-me, sofrendo, daqueles
que perderam o dom de falar
e o Teu nome não podem pronunciar.
Os que vivem atormentados na afasia
E não podem cantar nem de noite, nem de dia.
Eu suplico por eles
sabendo, porém, que mais tarde,
no Teu reino voltarão a falar...

Obrigada, Senhor, por estas mãos
que são minhas alavancas da ação,
do progresso, da redenção...

Agradeço pelas mãos que acenam adeuses,
pelas mãos que fazem ternura,
e que socorrem na amargura.
Pelas mãos que acarinham,
pelas mãos que elaboram as leis
pelas mãos que cicatrizam feridas
retificando as carnes sofridas
balsamizando as dores de muitas vidas!
Pelas mãos que trabalham o solo,
que amparam o sofrimento e estancam lágrimas,
pelas mãos que ajudam os que sofrem,
os que padecem...
Pelas mãos que trabalham nestes traços,
como estrelas sublimes fulgindo em meus braços!

E pelos pés que me levam a marchar,
ereto, firme a caminhar.
Pés de renúncia que seguem
humildes e nobres sem reclamar...

E os que estão amputados, os aleijados,
os feridos, os deformados,
eu rogo por eles e posso afirmar
que no Teu Reino, após a lida
dolorosa da vida,
hão de poder bailar
e em transportes sublimes outros braços afagar...

Sei que a Ti tudo é possível
Mesmo que ao mundo parece impossível...

Obrigada, Senhor, pelo meu lar,
o recanto de paz ou escola de amor,
a mansão da glória...

Obrigada, Senhor, pelo amor que eu tenho
e pelo lar que é meu...

Mas, se eu sequer
nem um lar tiver
ou teto amigo para me aconchegar
nem outro abrigo para me confortar...

Se eu não possuir nada,
senão as estradas e as estrelas do céu,
como leito de repouso e o suave lençol,
e ao meu lado ninguém existir,
vivendo e chorando sozinho ao léu
sem alguém para me consolar...

Direi, cantarei, ainda:

"Obrigada, Senhor
porque Te amo e sei que me amas,
porque me deste a vida
jovial, alegre, por Teu amor favorecida...
Obrigada, Senhor, porque nasci...
Obrigada porque creio em Ti
e porque me socorres com amor,
hoje e sempre,
obrigada, Senhor..."