O caso não deve ser categorizado à conta de anedota.
É um episódio ocorrido entre um homem franco e um companheiro de alma
simples.
O amigo que tentava abraçar os princípios evangélicos chegou à casa do
pastor e, depois de intróito natural na conversação entre pessoas sinceras,
finalmente explicou-se:
-O que eu desejo, reverendo, é encontrar um cristão-modelo que me sirva de
exemplo. Leal, desprendido das posses terrenas, consagrado ao reconforto dos
infelizes, humilde e valoroso ao mesmo tempo, que não erre, que não negocie
sobre assuntos religiosos para a extração de vantagens pessoais, que se
esqueça no serviço aos semelhantes...
Porque o anfitrião silenciasse, Prosseguiu:
-O que vemos por ai? Brigas e acusações recíprocas, orgulho e vaidade
falando grosso, pretensões descabidas e o egoísmo feroz por nota dominante
em toda parte. Que diz a isso?
O interpelado esclareceu brandamente:
-Sim, somos criaturas humanas, criadas por Deus, mas ainda inacabadas. As
lições do Evangelho nos têm prestado serviços imensos na Terra, entretanto,
ainda somos espíritos imperfeitos, mas sempre tentando melhorar-nos, sempre
mais...
-Isso não me serve – clamou o visitante um tanto desesperançado.
E acrescentou:
-Não existirá um cristão perfeito?
O pastor respondeu com a maior simplicidade que se possa encontrar no mundo:
-Não podemos esquecer que existiu um deles que foi perfeito.
Possuía todos os dons excelentes que o Senhor reclamar. No entanto, foi
sacrificado pelos próprios homens aos quais veio servir. Até hoje, é
venerado por todas as criaturas.
Seu nome era Jesus Cristo.
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